A morte nos faz cair em seu alçapão, / É uma mão que nos agarra / E nunca mais nos solta. / A morte para todos faz capa escura, / E faz da terra uma toalha; / Sem distinção ela nos serve, / Põe os segredos a descoberto, / A morte liberta o escravo, / A morte submete rei e papa / E paga a cada um seu salário, / E devolve ao pobre o que ele perde / E toma do rico o que ele abocanha.
(Hélinand de Froidmont. Os Versos da Morte. Poema do século XII. São Paulo : Ateliê Editorial / Editora Imaginário, 1996. 50, vv. 361-372)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cemitério nas Caraíbas com lápides de portugueses em risco

Espaço data de meados do século XVII e reúne lápides de judeus que fugiram da Inquisição em Portugal e Espanha

A réplica de uma lápide do cemitério de judeus portugueses de Curaçao, nas Antilhas Holandesas, exposta no museu da Sinagoga Mikvé Israel-Emanuel, conhecida oficialmente como United Netherlands Portuguese Congregation Mikvé Israel-Emanuel, testemunha a presença inequivoca dos nossos e da nossa língua naquelas paragens. Datada da primeira metade do século XVIII, a lápide encontra-se quase integralmente escrita em português, com excepção da inscrição cimeira, em hebraico, que cita o Livro de Ester: “E Mordecai compareceu perante o Rei”. No resto da lápide pode ler-se: “Do bem-aventurado e insigne varão Mordecai Hisquiau Namias de Crasto benquisto do geral e procurador da paz. Faleceu em 13 de Yiar do ano 5476 [5 de Maio de 1716]. Sua alma goze da glória.” Published by Nuno Guerreiro Josué at 8/2/2007 in Judeus Portugueses. Fotos gentilmente cedidas por Francisco Duarte Azevedo. Texto e imagem disponíveis no site: http://ruadajudiaria.com/?p=562 em 30/11/2012.

  
Por: tvi24 / CM. Artigo publicado na seção SOCIEDADE do site: http://www.tvi24.iol.pt em 2012-11-26 17:27.


Um dos mais antigos cemitérios judaicos das Américas, Beth Haim, na ilha de Curaçao, nas Caraíbas, onde vários portugueses foram enterrados no passado, corre o risco de desaparecer devido a deteriorações e abandono.

O cemitério, que data de meados do século XVII, reúne lápides de judeus que fugiram da Inquisição em Portugal e Espanha, inicialmente para Amsterdão e depois para a pequena ilha das Caraíbas, então colónia holandesa, situada a norte da Venezuela.

Curaçao ou Curaçau, também conhecida em Portugal como ilha da Curação, é a maior ilha do antigo arquipélago das Antilhas Neerlandesas e um país autônomo constituinte do Reino dos Países Baixos. Mapa e texto disponíveis no site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cura%C3%A7ao em 30/11/2012.


O motivo da deterioração, segundo especialistas ouvidos pela agência AP, resulta da proximidade com o mar e da poluição produzida pela refinaria instalada próxima ao local.

«A erosão constante, provavelmente intensificada pela proximidade da refinaria, é considerada agora incontrolável», afirmou Rene Maduro, presidente da Sinagoga Mikve Israel-Emanuel, responsável pelo cemitério.

Outras atrações turísticas de Curaçao são (...), a sinagoga Mikve Israel Emanuel (a mais antiga do mundo ocidental) e o cemitério Beth Hayam, o mais antigo do hemisfério Sul, que possui lápides gravadas em português e em hebraico. Texto e imagem disponível no site: http://www.aproximaviagem.pt/html/n9/11_curacao.html em 30/11/2012.

Maduro acrescentou que a degradação «está para além do ponto de restauração».

A congregação de Curaçao pondera, por isso, tentar preservar o cemitério de maneira eletrónica, com a criação de registos virtuais e fotos.

Réplicas de lápides do cemitério de judeus portugueses de Curaçao, nas Antilhas Holandesas, expostas no museu da Sinagoga Mikvé Israel-Emanuel.Texto e imagem disponíveis no site: http://ruadajudiaria.com/?p=562 em 30/11/2012.


Estima-se que mais de 5.000 pessoas estejam enterradas no cemitério, cuja inscrição mais antiga data de 1668.

Fonte: http://www.tvi24.iol.pt/503/sociedade/cemiterio-curacao-caraibas-judeus-cemiterio-de-portugueses-tvi24/1396436-4071.html

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Os cemitérios são lugares com grande importância artística - escultura e arquitectura – histórica e social

Escultura feminina em pedra no túmulo de Mademoiselle Alix Lesgards (1871-1919)  no "Cemitério dos Prazeres" de Lisboa (Portugal). Foto: Jorge Lima Alves, 05/12/2011. Imagem disponível em: http://jorgelimaalves.blogspot.com.br/2011/12/cemiterio-dos-prazeres-ontem.html


Por FS / RS publicado às 01:38 de terça-feira, 30 agosto 2011, no "diáriOnline" de Algarve (Portugal) http://www.regiao-sul.pt/ 

O turismo tem desde há uns tempos uma nova modalidade, que movimenta já milhares de adeptos por todo o Mundo. É o turismo cemiterial. São lugares com grande importância artística - escultura e arquitectura - histórica e social. Na Europa, a concepção romântica do sec XIX planeou e construiu verdadeiros espaços urbanos e monumentais, com ruas, praças, jardins e monumentos. Esta concepção do espaço, mais destinada aos vivos do que aos mortos, criou razões para os visitantes desfrutarem as obras de arte e o espaço como o fariam em qualquer parque urbano. O turista tipo que visita cemitérios é de formação elevada, e de poder económico superior, o que por si só justifica a aposta na sua requalificação e divulgação.

O interesse por estes espaços sagrados já motivou a realização de congressos e simpósios internacionais (Sevilha 1992 e Wroclaw na Polonia com organização do ICOMOS).

Por outro lado, a curiosidade em visitar a ultima morada de cidadãos que se notabilizaram nas artes, na literatura ou na política, ainda que os túmulos não tenham qualquer interesse artístico, tem aumentado nos últimos tempos. No fundo, até não é assim tão estranho, uma vez que um dos locais mais visitados do mundo, as Pirâmides do Egipto, não são mais do que gigantescos monumentos funerários, tal como as tão nossas conhecidas Antas. O interesse pelos cemitérios mais tradicionais e menos monumentais também floresceu. Um dos casos exemplares é o do túmulo do cantor Rock Elvis Presley, que morreu em 1977, e que foi sepultado num primeiro momento no cemitério de Forest Hill. No entanto, os problemas resultantes da anormal afluência, entre os quais uma tentativa de roubo do corpo, motivaram a transladação para os jardins da mansão onde viveu, Graceland, no Tennessee. Este local é a segunda residência mais visitada dos EUA depois da Casa Branca.

Um dos cemitérios mais visitados do mundo é o Parisiense Père-Lachaise, onde descansa Jim Morrisson, famosa estrela do grupo Rock “The Doors”. E está bem acompanhado porque tem como vizinhos personalidades como Oscar Wilde, Chopin, Moliere, Balzac, Delacroix, Modigliani, Maria Callas e Edith Piaf, entre muitos outros famosos. Este cemitério, para além de ser um espaço agradável e muito bem localizado com excelente vista sobre a cidade, está organizado já em função da procura turística com mapas, guias de visita e um site com visita virtual, que se aconselha a quem pensava que era impossível passear num cemitério. Paris tem aliás outros cemitérios importantes onde se depositam restos mortais de muitas celebridades como o dos Inválidos (Napoleão Bonaparte) Montmartre (Emile Zola e Degas) Montparnasse (Baudelaire, Beckett e J.P. Sartre) e o fabuloso Panteão (Voltaire e J.J. Rousseau), que só por si justificam uma visita.

Outro dos espaços de morte mais singulares é o Cemitério Nacional de Arlington, nos Estados Unidos da América. Perto de Washington D.C., estão nele enterradas mais de 300 mil pessoas, sobretudo veteranos de todos os cenários de guerra em que os EUA participaram. Alguns dos personagens históricos mais famosos enterrados em Arlington são os astronautas da nave Challenger, o Senador Robert Kennedy e seu irmão, o Presidente John Kennedy. É caracterizado por ser um imenso relvado em que cada tumba é assinalada por apenas uma simples cruz em mármore branco com o nome e as datas de nascimento e de morte do venerado.

A recentemente falecida actriz Elizabeth Taylor foi enterrada no cemitério Forest Lawn em Los Angeles. Neste cemitério, que tem a particularidade de ser privado, encontram-se ainda os não menos famosos Walt Disney e o muito Popular Michael Jackson.

Outro exemplo, este de características extraordinárias, é o Monumental de Milão, uma das principais atracções da cidade. É também visitado anualmente por milhares de turistas. Desenhado pelo Arquitecto Carlo Maciachini, tem uma organização cuidada ao pormenor, de desenho e qualidade artística fora do comum. Tem sectores que separam as diferentes religiões e ritos funerários e um conjunto raro de rica estatuária em pedra e sobretudo bronze, com colossais mausoléus, em estilos que abarcam todos os períodos dos últimos dois séculos. Também alberga personalidades famosas como Giuseppe Verdi, Arturo Toscanini e o próprio arquitecto autor do projecto.

Em Portugal, vários cemitérios estão em vias de serem classificados, nomeadamente o cemitério dos Prazeres, com importantes registos simbólicos maçónicos, estatuária e arquitectura.

Outro aspecto do túmulo de Mademoiselle Alix Lesgards (1871-1919) com sua escultura feminina em pedra no "Cemitério dos Prazeres" de Lisboa (Portugal). Imagem disponível em 15/11/2012 no site: http://jumento.blogspot.com.br/2012/01/umas-no-cravo-e-outras-na-ferradura_19.html .

Fica assim claro que deve haver o maior cuidado na gestão destes importantes espaços, que têm já um valor patrimonial significativo. Infelizmente por cá, neste período de crise em que tudo serve para arranjar uns trocos extra, as notícias relatam vandalizações e roubos de objectos metálicos nos nossos cemitérios, certamente não vigiados. Até nesta matéria andamos atrás de todo o Mundo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Alunos de Ensino Médio fazem aula de campo em antigo cemitério de São Mateus (ES).

Alunos dos terceiros anos do Ensino Médio da Escola Estadual “Dom Daniel Comboni”, localizada em Nova Venécia, quebrando tabus e preconceitos, fizeram uma aula de campo no mais antigo cemitério, em funcionamento, no norte do estado do Espírito Santo.

Foto 01 – Aluna do 3º Ano da EEEM “Dom Daniel Comboni”, observa túmulos e escultura durante aula de campo no Cemitério Central de São Mateus. Foto: Rogério Piva. Data: 27/07/2012.



Por Rogério Frigerio Piva*



Para muitos, cemitérios são locais de tristeza e dor, locais proibidos envoltos em preconceito e misticismo, ou apenas, locais de descarte de cadáveres humanos. Mas não foi com essa visão que alunos das turmas 3º V1 e 3º V2 da EEEM “Dom Daniel Comboni” fizeram sua aula de campo no dia 27 de julho de 2012.

Guiados pelas professoras Ana Paula Gonçalves, de Filosofia, e Charlene Turini, de Geografia, os alunos participaram da aula de campo que integra o Projeto Vale do Cricaré, projeto este, que está sendo executado pelos professores da área de Ciências Humanas da referida escola.

Neste sentido, ao levar os alunos para conhecer locais de referência histórica no município de São Mateus, a professora Ana Paula Gonçalves, destacou uma aula inédita, para os alunos da escola, em um cemitério, tendo como objetivo central “compreender o sentido do significado da própria existência a partir da morte”. Depois de meses de discussões filosóficas sobre o tema morte, os alunos foram a campo para visualizarem a morte por meio do cemitério.

Foto 02 – Alunos caminhando entre os túmulos do Cemitério Central em São Mateus. Foto: Rogério Piva. Data: 27/07/2012.

O local escolhido não poderia ser melhor. O antigo Cemitério Público de São Mateus, hoje mais conhecido como Cemitério Central, surgiu em fins da década de 1850, na cidade de São Mateus, na época, a principal e mais importante do norte da Província do Espírito Santo. É o mais antigo do norte do Espírito Santo ainda em funcionamento.

Tendo sofrido inúmeras reformas e ampliações, sendo a última na gestão do ex-prefeito Roberto Arnizaut Silvares (1955-1959), o cemitério ainda preserva sua estrutura original com capela, muros mortuários, gradil e portão de ferro, além de inúmeros túmulos, lápides e esculturas feitos de mármore de Carrara, na Itália, entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX. Nesta necrópole encontram-se sepultados, importantes personagens históricos do norte do Espírito Santo como, por exemplo, o Major da Guarda Nacional, Antônio Rodrigues da Cunha (1834-1893), que no crepúsculo do Império foi agraciado com o título de Barão de Aymorés. Ele foi um dos mais importantes e ricos fazendeiros da região de São Mateus, responsável pelo início da colonização do atual município de Nova Venécia.

Foto 03 – Vista da parte mais antiga do Cemitério Central, construída no século XIX. Mesmo com as sucessivas ampliações, este setor foi preservado, conservando a estrutura original do cemitério e alguns de seus ricos túmulos de mármore importado. Foto: Rogério Piva. Data: 09/07/2012.

A aula de campo no cemitério contou com a presença do professor de História e historiador Rogério Frigerio Piva, de Nova Venécia e do historiador Eliezer Ortolani Nardoto, de São Mateus, profundos conhecedores da história local e do próprio cemitério. Estes lançaram um desafio para os alunos: encontrar o suposto túmulo do Barão de Aymorés.

Dividindo-se em grupos os alunos percorreram a parte mais antiga do cemitério em busca do que acreditavam ser o mais monumental túmulo ali já erguido, porém, depois de algum tempo sem obter sucesso, o historiador Eliezer Nardoto, lhes mostrou o local de seu repouso final, como lhe foi informado pelo seu bisneto, o saudoso Dr. Eduardo Durão Cunha.

Foto 04 – Alunos, sendo observados pelo historiador Eliezer Nardoto (E) e pela professora Ana Paula Gonçalves (D), tentam descobrir o suposto “túmulo do Barão de Aymorés”. Foto: Rogério Piva. Data: 27/07/2012.

Eliezer Nardoto, explicou que o último desejo do barão seria, ao invés de sete palmos (1,5 metros) de profundidade, como ainda hoje é de costume, que fosse sepultado com quatorze palmos (3 metros), e que o local não fosse marcado, nem sequer com uma pequena lápide, e que fosse localizado entre a área que separava o “cemitério dos ricos do cemitério dos pobres” distinção entre o cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento, a qual pertencia os principais membros da elite local, e o próprio Cemitério Público. Isto surpreendeu aos alunos que acreditam que por ter sido, em vida, um homem muito rico e importante, após sua morte teria sua memória lembrada por monumento majestoso.

Foto 05 – Local apontado pelo historiador Eliezer Nardoto, onde supõe-se que, sob 14 palmos de terra, repousam os restos mortais do Barão de Aymorés no Cemitério Central de São Mateus, desde o seu falecimento em 1893. Segundo seu último desejo nem uma pequena lápide deveria indicar a presença dos seus restos mortais. Foto: Rogério Piva. Data: 09/07/2012.

Guiados pelo historiador Rogério Piva, ainda conheceram outros túmulos de grandes fazendeiros que possuíram terras na região do atual município de Nova Venécia, bem como o túmulo do Dr. Antônio dos Santos Neves (1862-1946), engenheiro, responsável pela criação do Núcleo Colonial de Nova Venécia entre 1890-1895, e que deu este nome ao mesmo, mais tarde transferido ao povoado e depois município.

Foto 06 – O historiador Rogério Piva, identificando lápide no Cemitério Central de São Mateus. Foto: Ana Paula Gonçalves. Data: 27/07/2012.

Por meio da professora de Filosofia, Ana Paula Gonçalves, os alunos ficaram conhecendo a rica simbologia tumular, existente em inúmeros túmulos espalhados pelo cemitério que, além de esculturas, também guardam, em pedra, poesias em forma de sonetos que expressam a saudade dos vivos pelos mortos.

Uma aula de campo rica em Filosofia, História, Geografia, Arquitetura, Artes, Língua Portuguesa, foi o que os alunos do Ensino Médio de Nova Venécia puderam apreciar nesta inusitada visita ao cemitério, que antes de ser um lugar de tristeza e preconceito é um local rico em memória e cultura, como ficou evidente a todos.

Foto 07 – Cemitério também é arte. Escultura de anjo feita em mármore de Carrara no túmulo da D. Victoria Domingues de Moraes Rios (1838-1890) no Cemitério Central de São Mateus. Foto: Rogério Piva. Data: 09/07/2012.

Além do cemitério os alunos tiveram oportunidade de conhecer as ruínas da Igreja Velha, o Museu Diocesano, a Catedral, o centro histórico da Cidade Alta composto pelas praças São Benedito e São Mateus com suas respectivas igrejas, o Museu da Cidade de São Mateus, o sítio histórico do Porto de São Mateus, terminando a aula de campo na antiga fonte chamada de “Biquinha”.

Foto 08 – Para posteridade. Ao final da aula de campo no cemitério, as professoras, os alunos e o historiador Eliezer Nardoto, fazem pose no portão principal do Cemitério Central de São Mateus. Foto: Rogério Piva. Data: 27/07/2012.


*Rogério Frigerio Piva é natural de Nova Venécia, Graduado em História pela UFES, Professor, Historiador. Trabalhou no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, onde ocupou diversos cargos entre 1998-2008. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo – IHGES e da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais – ABEC. Mantém os blogs: Projeto Pip-Nuk (www.projetopipnuk.blogspot.com) sobre a Memória e o Patrimônio Natural e Cultural de Nova Venécia e o COEMETERIUM: Notícias e Estudos Cemiteriais (www.kimitirion.blogspot.com) e Desenvolve pesquisa sobre os antigos e extintos cemitérios no Vale do Rio Cricaré entre o final do século XIX e a 1ª metade do século XX.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Itália: Arqueólogos acreditam ter achado esqueleto da 'Mona Lisa'

Arqueólogos encontram ossada no convento de Santa Úrsula, em Florença, na Itália. Foto: AFP. Imagem disponível em 31/07/2012 no site: http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5998623-EI8147,00-Arqueologos+acreditam+ter+achado+esqueleto+da+Mona+Lisa.html#tphotos


Arqueólogos encontraram um esqueleto em um convento em Florença, na Itália, que acreditam que possa ser de Lisa Gherardini, a modelo que Leonardo da Vinci teria usado para pintar a Mona Lisa. A italiana era mulher de um rico comerciante de seda chamado de Francesco del Giocondo e teria sido enterrada no convento de Santa Úrsula (Sant'Orsola). As informações são do site do jornal britânico Daily Mail.


Por Portal: terra.com.br (http://noticias.terra.com.br/). Notícia postada na Seção: Ciência - Pesquisa em 17 de julho de 2012 • 17h25 • atualizado às 17h56

Segundo a reportagem, boa parte dos historiadores acredita que Lisa foi a modelo para a Mona Lisa. Após o falecimento do marido, ela viveu como freira no convento até sua morte, em 15 de julho de 1542, aos 63 anos.

Ano passado, um time de arqueólogos começou a cavar no prédio abandonado e achou uma cripta que acreditam ser de Lisa e, em seguida, acharam um crânio que era de uma mulher. Por falta de fundos, o grupo teve que interromper o trabalho, mas conseguiu dinheiro e voltou à escavação no mês passado. Nesta semana, eles acharam um esqueleto que passará por testes para saber se esses ossos combinam com o crânio.

As escavações em busca dos restos mortais de "Mona Lisa" fazem parte das obras de restauração do antigo convento, que, em breve, deverá ser reaberto por incumbência da Superintendência para os Bens Arqueológicos da Toscana. EFE. Imagem disponível em 31/07/2012 no site: http://emais.estadao.com.br/noticias/gente,arqueologos-encontram-altar-onde-mona-lisa-pode-ter-sido-enterrada,2012,0.htm

Se os resultados baterem, os cientistas vão comparar o DNA da ossada com os restos mortais de dois filhos de Lisa. Após esses estudos, eles pretendem refazer o rosto original da italiana e compará-lo com a Gioconda de Da Vinci - e talvez resolver o enigmático sorriso da pintura de 500 anos.

'Monalisa', um dos quadros mais famosos de Leonardo da Vinci (Foto: Reprodução/Wikicommons). Imagem disponível em 31/07/2012 no site: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/07/na-italia-arqueologos-desenterram-ossada-que-pode-ser-da-mona-lisa.html


"Não sabemos ainda se os ossos pertencem a apenas um esqueleto ou mais. Mas isso confirma nossa hipótese de que o convento de Santa Úrsula ainda tem ossos humanos e não podemos excluir que entre eles estejam os de Lisa Gherardini", diz o arqueólogo Silvano Vinceti, chefe da escavação.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5998623-EI8147,00-Arqueologos+acreditam+ter+achado+esqueleto+da+Mona+Lisa.html#tphotos
Assista ao vídeo: "Arqueólogos encontram túmulo de Mona Lisa"

 
Publicado em 18/07/2012 por band
Arqueólogos acreditam ter encontrado no convento de Santa Úrsula, em Florença na Itália, o túmulo da Mona Lisa que inspirou o famoso quadro de Leonardo Da Vinci. (Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=7g_V751tox8 ).


Veja também:

Na Itália, arqueólogos desenterram ossada que pode ser da 'Mona Lisa':
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/07/na-italia-arqueologos-desenterram-ossada-que-pode-ser-da-mona-lisa.html
Arqueólogos encontram altar onde 'Mona Lisa' pode ter sido enterrada:
http://emais.estadao.com.br/noticias/gente,arqueologos-encontram-altar-onde-mona-lisa-pode-ter-sido-enterrada,2012,0.htm

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Porto Alegre (RS): Escavações revelam relíquias escondidas sob o solo da Cúria Metropolitana

Tesouro descoberto: Restos mortais de mais de 50 pessoas foram encontrados embaixo do antigo piso de concreto

Após 10 meses de trabalho, pesquisadores acharam o segundo cemitério de Porto Alegre, inaugurado há 240 anos e usado até 1850. 14/07/2012. Crédito: Ricardo Duarte. Imagem disponível no site: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/fotos/escavacoes-revelam-reliquias-escondidas-sob-o-solo-da-curia-metropolitana-32755.html em 19/07/2012.


Por Letícia Costa (leticia.costa@zerohora.com.br) publicado na seção Geral > Notícias do jornal on-line: Zero Hora (http://zerohora.clicrbs.com.br/) em 14/07/2012 às 05h04.


O projeto de recuperação da arquitetura original da Cúria Metropolitana transformará um local histórico em um atrativo turístico da Capital, aberto à população. Sob os andaimes montados para o restauro, foi encontrada uma relíquia de valor inestimável e, agora, operários dividem espaço com arqueólogos.

Há 10 meses descobrindo o que há debaixo do antigo piso de concreto e pedra, os pesquisadores chegaram até os restos mortais de mais de 50 pessoas, preservados do segundo cemitério criado na cidade.

Inaugurado há 240 anos, com o nascimento da Capital, a área em declive onde hoje estão a Catedral e a Cúria Metropolitana recebeu os mortos até 1850. Questões sanitárias e a lotação do cemitério teriam obrigado a transferência dos sepultamentos para o bairro Azenha.


Sob os andaimes montados para o restauro, foi encontrada uma relíquia de valor inestimável e, agora, operários dividem espaço com arqueólogos. 14/07/2012. Crédito: Ricardo Duarte. Imagem disponível no site: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/fotos/escavacoes-revelam-reliquias-escondidas-sob-o-solo-da-curia-metropolitana-32755.html em 19/07/2012.

Há 10 meses descobrindo o que há debaixo do antigo piso de concreto e pedra, os pesquisadores chegaram até os restos mortais de mais de 50 pessoas, preservados do segundo cemitério criado na cidade.14/07/2012. Crédito: Ricardo Duarte. Imagem disponível no site: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/fotos/escavacoes-revelam-reliquias-escondidas-sob-o-solo-da-curia-metropolitana-32755.html em 19/07/2012.

A maioria dos corpos permaneceu no local e foi aterrada para a construção de um seminário episcopal que, depois, transformou-se na Cúria. Agora, com o restauro que está sendo realizado na edificação concluída em 1888, houve a necessidade de escavar alguns pontos.

— Os arqueólogos estão encantados com o que encontraram — comenta o padre Luís Inácio Ledur, administrador da Arquidiocese.

Registros ajudarão a descrever rituais


Onde será instalada uma subestação de energia elétrica foram encontrados, cerca de um metro abaixo do piso, uma concentração de ossos, com pelo menos 34 crânios, que, segundo o padre Ledur, podem ter sido transferidos quando foi construída a Catedral.

Inaugurado há 240 anos, com o nascimento da Capital, a área em declive onde hoje estão a Catedral e a Cúria Metropolitana recebeu os mortos até 1850.14/07/2012. Crédito: Ricardo Duarte/Agencia RBS. Imagem disponível no site: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/fotos/escavacoes-revelam-reliquias-escondidas-sob-o-solo-da-curia-metropolitana-32755.html em 19/07/2012.

No detalhe, botão que pertenceu a militar do Exército de Dom Pedro II. 14/07/2012. Crédito: Ricardo Duarte. Imagem disponível no site: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/fotos/escavacoes-revelam-reliquias-escondidas-sob-o-solo-da-curia-metropolitana-32755.html em 19/07/2012.

Nesse local, situado ao lado do muro que delimita a Cúria da Rua Espírito Santo, um verdadeiro escritório de arqueologia foi montado. Luvas, pincéis, capacetes e espátulas são os principais instrumentos de trabalho da equipe coordenada pela arqueóloga Angela Cappelletti. De 10 em 10 centímetros, eles vão desvendando o passado dos moradores de Porto Alegre.

— Esta escavação abre a possibilidade de um estudo bastante importante sobre o traçado da nossa cultura relativa à morte. Anotamos, fotografamos e recolhemos todo o material para tentar depois descobrir o sexo dessas pessoas, o grau de parentesco entre elas, as patologias da época e as etnias — explica Angela.

Os registros minuciosos permitirão descrever as práticas utilizadas nos enterros daquele período. A arqueóloga Jocyane Baretta comenta, por exemplo, que eles já identificaram algumas características do ritual. A maioria das pessoas era enterrada nua, enrolada em uma mortalha presa com alfinetes.


Mapa do Centro de Porto Alegre com destaque para o local que era ocupado pelo cemitério (na cor amarela). Imagens de Rodrigo Veleda. Imagem extraída do vídeo disponível no site: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2012/07/ossadas-humanas-sao-achadas-em-escavacao-para-restauracao-no-rs.html em 19/07/2012.


— Não encontramos vestígios de caixão e notamos que a dois palmos da marca onde começava o cemitério tem restos mortais, o que não obedece aos critérios atuais de enterramento — descreve Jocyane.

Além de terem sido sepultados perto da superfície, muitos corpos foram encontrados sobrepostos, o que indica a falta de espaço em decorrência do alto número de mortes por epidemias e guerras.

Peças como um botão que pertenceu a um militar do Exército do imperador Dom Pedro II e contas de colar de origem africana ajudarão a identificar a origem dos habitantes da época. Angela estima que sejam escavados mais dois metros até o nível da calçada da rua, podendo aumentar número de ossadas encontradas.

Para a arqueóloga Ângela Cappelletti é importante compreender como funcionavam os enterros naquela época, que eram diferentes dos procedidos nos dias de hoje. Imagens de Rodrigo Veleda. Imagem e texto extraídos do vídeo disponível no site: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2012/07/ossadas-humanas-sao-achadas-em-escavacao-para-restauracao-no-rs.html em 19/07/2012.



A restauração

O que prevê a restauração da Cúria iniciada em outubro de 2009:

— Resgatar a arquitetura original do prédio inaugurado em 1888;
— Instalar um Museu de Arte Sacra com imagens de santos, louças e livros antigos de até 240 anos;
— Realocar e abrir ao público a biblioteca com arquivo histórico;
— Construir um terraço para atividades culturais, uma cafeteria e um estacionamento para melhorar o acesso ao prédio.




Assista o vídeo com a reportagem em:

Veja também:


Obra de reforma na Cúria Metropolitana de Porto Alegre revela um cemitério de 240 anos no site ( http://www.campograndenoticias.com.br/brasil-br/11762-obra-de-reforma-na-curia-metropolitana-de-porto-alegre-revela-um-cemiterio-de-240-anos.html )




quarta-feira, 27 de junho de 2012

Construção de ferrovia força destruição de túmulos na Grã-Bretanha

Construção de ferrovia força destruição de túmulos na Grã-Bretanha (Foto: BBC). Imagem disponível em 27/06/2012 no site: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/06/construcao-de-ferrovia-forca-destruicao-de-tumulos-na-gra-bretanha.html

Anúncio lança debate sobre o que deve ser deixado intocado sob a terra, quando o espaço é cada vez mais disputado.



Da BBC (Brasil) via [g1.globo.com] publicado em 27/06/2012 06h51 - Atualizado em 27/06/2012 08h05




O governo britânico anunciou a desocupação de milhares de túmulos para a construção de uma linha de trem de alta velocidade entre Londres e Birmingham, cuja construção deve ocorrer até 2026.

O anúncio provocou arrepios em muitas pessoas. Mas por que nos sentimos assim? E, num mundo em que os espaços são cada vez mais disputados, o que deve ser deixado intocado sob a terra?

A escavação da linha de trem HS2 deve passar bem em cima de antigos cemitérios ingleses, afetando os restos mortais de cerca de 50 mil pessoas.

E não é só entre Londres e Birmingham que velhos túmulos estão em perigo: em Salford, próximo a Manchester, ativistas estão protestando contra um empreendimento previsto para ocupar um cemitério com 300 túmulos. Nos EUA, o Departamento de Aviação de Chicago está finalizando um projeto para remover 1.500 túmulos e usar a área para uma nova pista do aeroporto internacional de O'Hare.

Além disso, e rede de supermercados Walmart foi criticada por pedir autorização para construir em um terreno no Estado americano do Alabama que acredita-se ser um antigo cemitério de escravos.

Sempre existiram empreendimentos dispostos a macular terrenos considerados sagrados. Nos anos 1860, quando foi construída uma linha ferroviária para a estação londrina de St Pancras, o escritor Thomas Hardy, na época um estudante de arquitetura, esteve entre o grupo de pessoas convocadas para escavar velhos túmulos presentes no local.

Tabu

Natasha Powers, do setor de arqueologia do Museu de Londres, diz que, nas grandes cidades, sobraram poucas terras intocadas. 'Deparar-se com restos humanos é algo razoavelmente comum', explica.

Powers é encarregada de estudar os restos humanos exumados durante projetos imobiliários e examinar os ossos em busca de informações sobre saúde, doenças e informações demográficas da época em que os corpos foram enterrados.

Ela trabalhou, por exemplo, nas escavações de um empreendimento comercial e residencial no leste de Londres, em uma área que antes era um monastério medieval, que abrigava 10,5 mil restos mortais.

'O ônus sempre é na dignidade (das pessoas)', ela opina. 'Há casos em que os restos estão enterrados tão profundamente que precisam ser escavados com máquinas. Mas em geral usamos espátulas, lentamente e com cuidado.'

Mas se escavações do tipo são tão comuns, por que nos causam tanto incômodo?

'A morte é o último tabu, numa época em que absolutamente todo o resto já foi desconstruído', opina Brian Draper, palestrante associado no Instituto de Cristianismo Contemporâneo de Londres. 'A ideia de deixar os mortos descansarem em paz mostra que gostamos de manter sagrada essa última etapa desconhecida da vida e da morte.'

Exumação

A exumação de corpos é sujeita a regras rígidas na Grã-Bretanha. Na Inglaterra e no País de Gales, o Ministério da Justiça precisa conceder uma licença de remoção dos restos mortais; depois, é preciso cumprir normas ditadas por instituições como igrejas e órgãos de patrimônio histórico.

É preciso também organizar também um novo enterro, em geral em cemitérios de regiões próximas à da exumação.

Para Draper, a ausência de parentes vivos dos corpos exumados é vista, por alguns, como critério para as escavações.

'Alguns argumentam que o funeral é mais em benefício dos vivos do que dos mortos. Nesse sentido, no momento em que essa conexão com os vivos é perdida, perde-se a razão por trás do 'descanse em paz'.'

Para empreendedores, essa costuma ser a visão adotada.

Em grandes projetos de infraestrutura como o HS2 entre Londres e Birmingham, a opinião é de que o precedente já foi estabelecido e não há tempo para arrepios.

Os planos para a linha de trem de 33 bilhões de libras (cerca de R$ 100 bi) foram aprovados pelo governo em janeiro e preveem a construção de um terminal sobre um cemitério do século 19 em Birmingham. Outro cemitério antigo também deverá ser afetado no centro de Londres.

O chefe de engenharia e operações do HS2, Tim Smart, diz que 'seria diferente se fosse a avó de alguém que estivesse sendo exumada, mas (os corpos a serem afetados) têm cerca de 100 anos. Estamos falando de cemitérios desativados, que não receberam novos corpos no último século. As pessoas entendem que é melhor afetar esses locais do que provocar outros inconvenientes'.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Arqueólogos na Bulgária descobrem esqueletos de 'vampiros'

Cemitério de vampiros foi descoberto por arqueólogos búlgaros. Reprodução/Mail Online. Imagem disponível em 19/06/2012 no site: http://noticias.r7.com/esquisitices/noticias/bulgaros-acham-mais-esqueletos-de-vampiros-20120612.html?question=0

Arqueólogos na Bulgária encontraram dois esqueletos datados da era medieval cujos peitos foram perfuradas com barras de ferro para impedir que os mortos supostamente se transformassem em vampiros.


Por Agência de Notícias BBC-Brasil ( http://www.bbc.co.uk/portuguese/ )
Atualizado em 6 de junho, 2012 - 05:08 (Brasília) 08:08 GMT

A descoberta, segundo historiadores, ilustra uma prática pagã, comum em algumas aldeias búlgaras até um século atrás.

Pessoas consideradas más tinham seus corações esfaqueados após a morte, devido a temores de que eles regressariam ao mundo dos vivos para sorver o sangue de humanos.

Descobertas arqueológicas semelhantes também foram feitas em outros países dos Bálcãs.

'Cemitérios de vampiros'

A Bulgária abriga cerca de cem áreas que serviram como locais em que pessoas tidas como vampiros foram enterradas.

Os pesquisadores encontraram os dois esqueletos, datados da Idade Média, na cidade de Sozopol, no Mar Negro.

"Estes esqueletos atravessados com barras de ferro ilustram uma prática comum em alguns vilarejos búlgaros até a primeira década do século 20'', explicou Bozhidar Dimitrov, que comanda o Museu de História Natural da capital búlgara, Sofia.

De acordo com o historiador, as pessoas acreditavam que as barras de ferro manteriam os mortos presos às suas covas de modo a impedir que elas as deixassem à meia-noite para atormentar os vivos.

Ritual

O arqueólogo Petar Balabanov, que descobriu em 2004 seis esqueletos atravessados por ''barras antivampiro'' na cidade de Debelt, no leste da Bulgária, afirmou que o ritual pagão foi também praticado na Sérvia e em outros países balcânicos.

Lendas ligadas a vampiros formam uma parte importante do folclore da região. A mais famosa é a que envolve o conde romeno Vlad, o Empalador, conhecido como Drácula, que empalava suas vítimas na guerra e bebia seu sangue.

O mito inspirou o lendário romance gótico de Bram Stocker, Drácula, publicado em 1897, e, desde então já inspirou uma série de adaptações para o cinema.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120606_vampiros_bulgaria_bg.shtml

domingo, 6 de maio de 2012

Cemitério dos Escravos em Guaçuí (ES): Marco Histórico e Cultural dos afro-descendentes

Vista do Cemitério dos Escravos da Fazenda Cachoeira a partir da estrada Guaçuí X São José do Calçado. Foto: Luiza Maklouf, Junho de 2011. Imagem disponível em 06/05/2012 no site: http://www.folhavitoria.com.br/entretenimento/blogs/elogoali/2011/06/08/cemiterio-dos-escravos-guacui/


Por Rogério Frigerio Piva


O município de Guaçuí está localizado no sul do estado do Espírito Santo, em região limítrofe com os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Segundo o historiador Luiz Ferraz Moulin, do Instituto Histórico de Guaçuí, em entrevista concedida em 2011, para repórter Luiza Maklouf para o blog “É logo ali - Verão”, do jornal on-line “Folha Vitória” http://www.folhavitoria.com.br/  (veja a entrevista na íntegra no vídeo da coluna ao lado), a colonização do município, se deu a partir do ano de 1838 com a fundação de grandes latifúndios mantidos por mão-de-obra escrava, voltados para monocultura do café.

Destes, o principal latifúndio foi a legendária Fazenda do Castelo, pertencente à influente família Aguiar Valim.

Senhores de terras e gentes, os Aguiar Valim foram responsáveis pela introdução de grande contingente de africanos, vindos de Moçambique, em fase anterior a extinção do tráfico. Após o fim do tráfico de africanos, passaram a adquirir escravos em Minas Gerais. Muitos destes que já haviam sido trazidos das províncias do nordeste, como o Ceará, para Minas Gerais.

Crianças, entre cruzes e cactos, visitando o Cemitério dos Escravos. Imagem disponível em 06/05/2012 no site: http://www.guiadecachoeiras.com.br/pontos_turisticos.php?cod_ponto=3681&cod_tipo=2&cod_cidade=199  

Hoje um dos poucos testemunhos daquele tempo é o velho Cemitério dos Escravos da antiga Fazenda do Castelo que, com os desmembramentos posteriores ficou pertencendo a Fazenda Cachoeira que ocupa parte das antigas terras da primitiva fazenda.

Até a década de 1960 famílias de baixa renda sepultavam seus entes queridos no local, o que foi proibido logo depois, conforme informa Luiz Moulin. O cemitério é uma área de cerca de 150 metros quadrados, cercada e emoldurada por quatro cactos, alguns centenários e que, simbolicamente, identificariam a origem nordestina dos escravos. Cinco cruzes de madeira ainda marcam algumas sepulturas.

Cruzes simples de madeira ainda apontam algumas sepulturas. (Inventário da Oferta Turística do Município de Guaçuí/2005, pp. 35-36) Imagem disponível em 06/05/2012 no site: http://www.turismo.es.gov.br/_midias/pdf/91-4b8434e334705.pdf

Desde 2009 o Cemitério dos Escravos da Fazenda Cachoeira, como é conhecido em Guaçuí, é protegido por lei municipal (tombado) como Patrimônio Histórico e Cultural do município, um exemplo que outros municípios deveriam seguir. No Espírito Santo é o primeiro cemitério tombado do qual ouvimos falar.

Para chegar ao local basta seguir pela rodovia ES-482 até a entrada da Fazenda Cachoeira, entra-se a esquerda seguindo por mais um km no sentido de quem vai de Guaçuí para São José do Calçado. À direita numa encosta encontra-se o pequeno, mas singular, Cemitério dos Escravos.

Fonte:

Historiador Luiz Ferraz Moulin fala sobre o Cemitério de Escravos em Guaçuí (ES).Vídeo de Luiza Maklouf postado no You Tube em 07/06/2011.


Veja também:

• Sobre Tombamento Histórico do Antigo Cemitério dos Escravos (20/04/2009):


• Inventário da Oferta Turística do Município de Guaçuí /2005:


• Sobre a colonização de Guaçuí:

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Miranda do Corvo (Portugal): descoberto cemitério da Idade Média

Foram identificadas 29 sepulturas

A arqueóloga Vera Santos (D) e o historiador, António Rodrigues (E), na estação Arqueológica do Calvário de Miranda do Corvo, onde foi descoberta uma necrópole da Idade Média, em Miranda do Corvo, 19 de abril de 2012. (Foto:) ANTONIO VETURA / LUSA. Imagem e legenda disponíveis em 20/04/2012 no site: http://www.cnoticias.net/?attachment_id=92018


Por: Redacção / CBA. Notícia publicada em 19- 4- 2012 às 17: 18 na Seção "Sociedade" do site tvi24 ( http://www.tvi24.iol.pt )


Na sequência de escavações arqueológicas, em Miranda do Corvo, foi descoberto um cemitério da Idade Média, anunciou esta quinta-feira a Câmara Municipal.

De acordo com a agência Lusa, as escavações, que decorriam na zona do calvário, no âmbito do projeto Rede Urbana dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego, destinavam-se à descoberta da muralha do castelo medieval, que ali existiu até finais do século XVIII.

«Viemos para escavar um castelo e descobrimos uma necrópole», disse à agência Lusa a arqueóloga Vera Santos, responsável da equipa de campo que, desde o verão de 2011, procedeu aos trabalhos.

A arqueóloga explicou que, em 40 metros quadrados foram identificadas 29 sepulturas, escavadas 25 e «levantados 38 indivíduos», devido a corpos enterrados em sobreposição.

Uma necrópole «com tantas sepulturas, com uma ocupação tão extensa, com material osteológico tão bem preservado é rara em Portugal», sublinhou a responsável pelas escavações.

«Quando temos sepulturas escavadas na rocha, em granito, falamos em uma, duas, três, no máximo, e quando se fala em necrópole, falamos em sete. Aqui, falamos em 29. O facto de ser em xisto é também muito pouco usual e, normalmente, já não aparecem com tampas e com esqueletos», disse a arquelóga, para quem está, neste caso, «perante uma estação arqueológica digna de registo».

Segundo Vera Santos, a maioria das sepulturas identificadas «são antropomórficas», ou seja, têm forma humana.

O castelo de Miranda do Corvo, que fazia parte da linha defensiva do Mondego, havia sido importante durante o período da reconquista cristã. Dele restam apenas a torre - em que no início do século XX ainda era possível vislumbrar as cantarias quinhentistas -, reconstruída sem suporte documental e atualmente em estado de degradação, e uma antiga cisterna.

Visitas à Estação Arqueológica do Alto do Calvário revelam 29 sepulturas escavadas em xisto, que constituem o um caso “raro” no país. Imagem e legenda disponíveis em 20/04/2012 no site: http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=17603&Itemid=135

«A transformação desta zona numa pedreira e, depois, as obras realizadas nos anos 60 do século XX, delapidaram o sítio, transformando-o e fazendo esquecer qualquer memória de que aqui tenha existido um castelo, pois apenas sobreviveu a torre sineira, completamente descaraterizada, e a cisterna», sublinhou Vera Santos.

A Estação Arqueológica do Alto do Calvário, como foi designada, está aberta ao público até ao final desta semana, com visitas guiadas, no âmbito do Dia Internacional de Monumentos e Sítios, que se assinalou na quarta-feira.



 Sobre: Miranda do Corvo

Miranda do Corvo é uma vila portuguesa no Distrito de Coimbra, região Centro e subregião do Pinhal Interior Norte, com cerca de 7 500 habitantes.
 É sede de um município com 126,98 km² de área e 13 622 habitantes (2006), subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Vila Nova de Poiares, a leste pela Lousã, a sueste por Figueiró dos Vinhos, a sudoeste por Penela, a oeste por Condeixa-a-Nova e a noroeste por Coimbra. O território do concelho de Miranda do Corvo é atravessado pelos Rio Ceira, pelo Rio Dueça e pelo Rio Alheda.
Recebeu foral de D. Afonso Henriques a 19 de Novembro de 1136.
 Freguesias no concelho de Miranda do Corvo:
Lamas, Miranda do Corvo, Rio Vide, Semide, Vila Nova
Fonte: http://portalnacional.com.pt/coimbra/miranda-do-corvo/


Mapa de Miranda do Corvo. Imagem disponível em 20/04/2012 no site: http://viajar.clix.pt/mapas.php?c=96&lg=pt&w=miranda_do_corvo




terça-feira, 10 de abril de 2012

Vitória (ES): Vestígios de cemitério antigo em convento

Restos mortais de frei Pedro Palácios podem estar em ossário

Diovani Favoreto, historiadora mostra urna com ossuário que foi encontrada no Convento de São Francisco de Assis, Cidade Alta, Vitória (ES) - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros. Imagem disponível em 10/04/2012 no site:  http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/04/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1173814-historia-revelada-vestigios-de-cemiterio-antigo-em-convento.html  

Por Maurílio Mendonça ( mgomes@redegazeta.com.br ). Publicado em 31/03/2012 - 16h34 - Atualizado em 31/03/2012 - 16h34 na Seção "Cidades" do jornal "A Gazeta" ( http://gazetaonline.globo.com/ ).


Escavações arqueológicas descobriram no Convento de São Francisco, no Centro de Vitória, uma montanha de 1,5 metro de ossos, guardados há décadas. O material também foi encontrado na parede de uma capela. Historiadores acreditam que entre eles possam estar os restos mortais de frei Pedro Palácios, transferidos do Convento da Penha há 403 anos.

Documentos e relatos históricos comprovam que era comum, na época, enterrar ossos na parede da capela. "Pessoas ilustres eram enterradas o mais próximo do altar, como se fosse o mais próximo de Deus", explica Diovani Favoreto, diretora e proprietária do Empório Capixaba, empresa responsável pela pesquisa.

Exposição em parede da capela

Em frente ao convento de São Francisco está a capela de Nossa Senhora das Neves, onde já existe, em exposição, uma área arqueológica, com ossos enterrados na parede da capela. "A descoberta foi feita há alguns anos, quando o espaço era restaurado. Os ossos foram encontrados e protegidos, expostos para visitação", conta Diovani Favoreto, proprietária da Empório Capixaba. O mesmo deve ser feito com o convento.

"Vamos manter o local preservado para desvendar o que aconteceu ali, e deixar tudo para a população poder visitar e cuidar"
 
Cemitérios

O ossário descoberto em outra área do convento foi construído nos anos de 1920. Nele foram reunidos restos mortais de três cemitérios que ficavam no terreno da igreja. Um deles era o das paredes, incluindo as do convento que foram desmanchadas, e que era destinado aos famosos.

Havia ainda o cemitério dos fiéis mais próximos da igreja, e o terceiro, público, que funcionou de 1856 até 1924, quando o convento deu lugar ao orfanato Cristo Rei.

A urna com ossos estava enterrada no pátio do Convento de São Francisco de Assis. Foto: Ricardo Medeiros. Imagem disponível em 10/04/2012 no site: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/04/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1173814-historia-revelada-vestigios-de-cemiterio-antigo-em-convento.html
 
Agora os historiadores vão investigar e tentar identificar a época em que essas pessoas morreram e a qual comunidade deviam pertencer.

"Vamos elaborar estratégicas de como investigar melhor esses ossos. Separá-los por época, talvez descobrir a idade dos ossos, se tinha alguma doença (como artrose), até se eram mais pobres, escravos ou da elite. Para, depois, recondicionar todos de volta para o ossuário, que hoje está cheio de infiltrações e é muito úmido, precisando de melhorias", explica o arqueólogo Henrique Antonio Valadares Costa.

Descoberta

Os ossos estavam abaixo da entrada da câmara, localizada embaixo do monumento aos franciscanos, feito pela Prefeitura de Vitória em 1924. Entre a ossada ainda foi encontrada uma urna, que seria de uma senhora rica do século XIX, moradora de Nova Almeida, Serra.

O ossuário é pequeno, com cerca de 3 metros de profundidade, em área de quatro metros de largura.

Mudanças ao longo dos séculos

Pioneiro

O Convento de São Francisco, no Centro de Vitória, foi fundado em 1591, já como convento. Era o segundo do país. Até então, só tinha o de Olinda, em Pernambuco

Aqueduto

O prédio ainda foi o primeiro a receber água encanada (aqueduto), em Vitória. A água ia de Fonte Grande até a cozinha do convento

Despedida

O último guardião franciscano viveu até 1855, data que coincide com o período de epidemia e muitas mortes em Vitória, por conta de doenças como febre amarela e cólera. O prédio ficou abandonado

Padre francês

Em 1924, o convento volta a ser ocupado, agora pelo orfanato Cristo Rei, erguido pelo padre francês Leandro. Foi ele quem mudou o espaço físico do convento e acabou derrubando as paredes onde estavam enterrados pessoas importante da época, como o Frei Pedro Palácios e, talvez, Vasco Fernandes Coutinho Filho

Mudanças

Outras mudanças, como a construção da rua lateral, alteraram o terreno do antigo convento, descobrindo mais dois cemitérios: o usado pela prefeitura, em meados do século XIX, para enterrar as vítimas das epidemias; e um outro, usado pela igreja, para enterrar alguns de seus fiéis mais próximos.