A morte nos faz cair em seu alçapão, / É uma mão que nos agarra / E nunca mais nos solta. / A morte para todos faz capa escura, / E faz da terra uma toalha; / Sem distinção ela nos serve, / Põe os segredos a descoberto, / A morte liberta o escravo, / A morte submete rei e papa / E paga a cada um seu salário, / E devolve ao pobre o que ele perde / E toma do rico o que ele abocanha.
(Hélinand de Froidmont. Os Versos da Morte. Poema do século XII. São Paulo : Ateliê Editorial / Editora Imaginário, 1996. 50, vv. 361-372)

quinta-feira, 3 de março de 2011

O prazer da dor

Sensuais e acolhedoras, as jovens divindades esculpidas por Materno Giribaldi enriquecem cemitérios de São Paulo

No jazigo-capela feito por Giribaldi, mulheres com corpos bem delineados representam a missão do consolo diante da morte. Imagem disponível em 03/03/2011 no blog: http://eternity-art.blogspot.com/search/label/Jafet%20


Por Maria Elizia Borges. Fragmento de Artigo publicado nas páginas 66 a 71, Seção "Perspectiva" da Revista de História da Biblioteca Nacional [versão online: http://www.revistadehistoria.com.br/], Nº 65, Ano 6, de [01 de] Fevereiro de 2011.


Quando se visita um cemitério, o que se vê é uma série de túmulos adornados com cruzes, flores, vasos e imagens de santos e de anjos. Mas quem já viu esculturas como as de Materno Giribaldi – especialista em retratar mulheres em poses sensuais – enfeitando túmulos acaba se perguntando se não seria mais adequado que essas obras de arte ficassem expostas dentro de um museu. Possivelmente, elas estão ali para confirmar o quanto os vivos sentem necessidade de eternizar esses lugares com trabalhos artísticos repletos de significados, sejam sacros ou profanos.

Nas grandes metrópoles brasileiras, como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e São Paulo, há cemitérios que são tidos como museus a céu aberto. Isto se deve ao fato de eles abrigarem uma grande quantidade de monumentos luxuosos, ornamentados com estátuas que muitas vezes narram a vida do falecido, reforçando a importância que ele teve. Ao longo da história da humanidade, cada sociedade desenvolveu uma maneira própria de homenagear seus mortos. Esse costume contribui para que os homens vivenciem o seu luto com mais profundidade.


(...) conjunto de esculturas de Materno Giribaldi construído em 1932 para um jazigo-capela no Cemitério da Consolação: referências cristãs em estilo art nouveau. Imagem disponível em 03/03/2011 no blog: http://eternity-art.blogspot.com/search/label/Jafet%20


Materno Giribaldi (1870-1935) nasceu na Itália, aos 60 anos mudou-se para São Paulo, onde instalou seu ateliê na década de 1930. O trabalho do artista apresenta elementos do simbolismo, representação visual que agrupa estilos artísticos europeus do final do século XIX, como o art nouveau (nova arte) e o liberty (noção de liberdade). Suas obras têm composições assimétricas com uma profusão decorativa de arranjos florais envolvendo mulheres nuas e seminuas. Elas expressam dor diante dos mistérios insondáveis da morte e, ao mesmo tempo, exaltam e glorificam a vida terrena. (...)

Leia a matéria completa na edição de Fevereiro, nas bancas.



Sobre MARIA ELIZIA BORGES:


É professora Adjunta de História da Arte na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. Ministra aulas nos programas de Pós-Graduação: Cultura Visual (FAV) e História (FCHF). Pesquisadora do CNPq. Tem artigos publicados no país e no exterior sobre arte funerária no Brasil. Foi professora e coordenadora do curso de Artes Plásticas da Universidade de Ribeirão Preto, UNAERP (1973-91). Ministrou aulas na Faculdade de Arquitetura da Instituição Moura Lacerda (Ribeirão. Preto, 1992) e no curso de pós-graduação em História da Universidade Estadual Paulista, UNESP (Franca, 1994-95). Exerceu o cargo de Secretária da Cultura na cidade de Ribeirão Preto (1993). Integra o Comitê Brasileiro de História da Arte, a Associação Brasileira de Críticos de Arte e a Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas. É membership da Association for Gravestone Studies (EUA). É presidente da ABEC - Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (Gestão 2008-2012).

Fonte: http://artefunerariabrasil.com.br/

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