A morte nos faz cair em seu alçapão, / É uma mão que nos agarra / E nunca mais nos solta. / A morte para todos faz capa escura, / E faz da terra uma toalha; / Sem distinção ela nos serve, / Põe os segredos a descoberto, / A morte liberta o escravo, / A morte submete rei e papa / E paga a cada um seu salário, / E devolve ao pobre o que ele perde / E toma do rico o que ele abocanha.
(Hélinand de Froidmont. Os Versos da Morte. Poema do século XII. São Paulo : Ateliê Editorial / Editora Imaginário, 1996. 50, vv. 361-372)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Miranda do Corvo (Portugal): descoberto cemitério da Idade Média

Foram identificadas 29 sepulturas

A arqueóloga Vera Santos (D) e o historiador, António Rodrigues (E), na estação Arqueológica do Calvário de Miranda do Corvo, onde foi descoberta uma necrópole da Idade Média, em Miranda do Corvo, 19 de abril de 2012. (Foto:) ANTONIO VETURA / LUSA. Imagem e legenda disponíveis em 20/04/2012 no site: http://www.cnoticias.net/?attachment_id=92018


Por: Redacção / CBA. Notícia publicada em 19- 4- 2012 às 17: 18 na Seção "Sociedade" do site tvi24 ( http://www.tvi24.iol.pt )


Na sequência de escavações arqueológicas, em Miranda do Corvo, foi descoberto um cemitério da Idade Média, anunciou esta quinta-feira a Câmara Municipal.

De acordo com a agência Lusa, as escavações, que decorriam na zona do calvário, no âmbito do projeto Rede Urbana dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego, destinavam-se à descoberta da muralha do castelo medieval, que ali existiu até finais do século XVIII.

«Viemos para escavar um castelo e descobrimos uma necrópole», disse à agência Lusa a arqueóloga Vera Santos, responsável da equipa de campo que, desde o verão de 2011, procedeu aos trabalhos.

A arqueóloga explicou que, em 40 metros quadrados foram identificadas 29 sepulturas, escavadas 25 e «levantados 38 indivíduos», devido a corpos enterrados em sobreposição.

Uma necrópole «com tantas sepulturas, com uma ocupação tão extensa, com material osteológico tão bem preservado é rara em Portugal», sublinhou a responsável pelas escavações.

«Quando temos sepulturas escavadas na rocha, em granito, falamos em uma, duas, três, no máximo, e quando se fala em necrópole, falamos em sete. Aqui, falamos em 29. O facto de ser em xisto é também muito pouco usual e, normalmente, já não aparecem com tampas e com esqueletos», disse a arquelóga, para quem está, neste caso, «perante uma estação arqueológica digna de registo».

Segundo Vera Santos, a maioria das sepulturas identificadas «são antropomórficas», ou seja, têm forma humana.

O castelo de Miranda do Corvo, que fazia parte da linha defensiva do Mondego, havia sido importante durante o período da reconquista cristã. Dele restam apenas a torre - em que no início do século XX ainda era possível vislumbrar as cantarias quinhentistas -, reconstruída sem suporte documental e atualmente em estado de degradação, e uma antiga cisterna.

Visitas à Estação Arqueológica do Alto do Calvário revelam 29 sepulturas escavadas em xisto, que constituem o um caso “raro” no país. Imagem e legenda disponíveis em 20/04/2012 no site: http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=17603&Itemid=135

«A transformação desta zona numa pedreira e, depois, as obras realizadas nos anos 60 do século XX, delapidaram o sítio, transformando-o e fazendo esquecer qualquer memória de que aqui tenha existido um castelo, pois apenas sobreviveu a torre sineira, completamente descaraterizada, e a cisterna», sublinhou Vera Santos.

A Estação Arqueológica do Alto do Calvário, como foi designada, está aberta ao público até ao final desta semana, com visitas guiadas, no âmbito do Dia Internacional de Monumentos e Sítios, que se assinalou na quarta-feira.



 Sobre: Miranda do Corvo

Miranda do Corvo é uma vila portuguesa no Distrito de Coimbra, região Centro e subregião do Pinhal Interior Norte, com cerca de 7 500 habitantes.
 É sede de um município com 126,98 km² de área e 13 622 habitantes (2006), subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Vila Nova de Poiares, a leste pela Lousã, a sueste por Figueiró dos Vinhos, a sudoeste por Penela, a oeste por Condeixa-a-Nova e a noroeste por Coimbra. O território do concelho de Miranda do Corvo é atravessado pelos Rio Ceira, pelo Rio Dueça e pelo Rio Alheda.
Recebeu foral de D. Afonso Henriques a 19 de Novembro de 1136.
 Freguesias no concelho de Miranda do Corvo:
Lamas, Miranda do Corvo, Rio Vide, Semide, Vila Nova
Fonte: http://portalnacional.com.pt/coimbra/miranda-do-corvo/


Mapa de Miranda do Corvo. Imagem disponível em 20/04/2012 no site: http://viajar.clix.pt/mapas.php?c=96&lg=pt&w=miranda_do_corvo




terça-feira, 10 de abril de 2012

Vitória (ES): Vestígios de cemitério antigo em convento

Restos mortais de frei Pedro Palácios podem estar em ossário

Diovani Favoreto, historiadora mostra urna com ossuário que foi encontrada no Convento de São Francisco de Assis, Cidade Alta, Vitória (ES) - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros. Imagem disponível em 10/04/2012 no site:  http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/04/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1173814-historia-revelada-vestigios-de-cemiterio-antigo-em-convento.html  

Por Maurílio Mendonça ( mgomes@redegazeta.com.br ). Publicado em 31/03/2012 - 16h34 - Atualizado em 31/03/2012 - 16h34 na Seção "Cidades" do jornal "A Gazeta" ( http://gazetaonline.globo.com/ ).


Escavações arqueológicas descobriram no Convento de São Francisco, no Centro de Vitória, uma montanha de 1,5 metro de ossos, guardados há décadas. O material também foi encontrado na parede de uma capela. Historiadores acreditam que entre eles possam estar os restos mortais de frei Pedro Palácios, transferidos do Convento da Penha há 403 anos.

Documentos e relatos históricos comprovam que era comum, na época, enterrar ossos na parede da capela. "Pessoas ilustres eram enterradas o mais próximo do altar, como se fosse o mais próximo de Deus", explica Diovani Favoreto, diretora e proprietária do Empório Capixaba, empresa responsável pela pesquisa.

Exposição em parede da capela

Em frente ao convento de São Francisco está a capela de Nossa Senhora das Neves, onde já existe, em exposição, uma área arqueológica, com ossos enterrados na parede da capela. "A descoberta foi feita há alguns anos, quando o espaço era restaurado. Os ossos foram encontrados e protegidos, expostos para visitação", conta Diovani Favoreto, proprietária da Empório Capixaba. O mesmo deve ser feito com o convento.

"Vamos manter o local preservado para desvendar o que aconteceu ali, e deixar tudo para a população poder visitar e cuidar"
 
Cemitérios

O ossário descoberto em outra área do convento foi construído nos anos de 1920. Nele foram reunidos restos mortais de três cemitérios que ficavam no terreno da igreja. Um deles era o das paredes, incluindo as do convento que foram desmanchadas, e que era destinado aos famosos.

Havia ainda o cemitério dos fiéis mais próximos da igreja, e o terceiro, público, que funcionou de 1856 até 1924, quando o convento deu lugar ao orfanato Cristo Rei.

A urna com ossos estava enterrada no pátio do Convento de São Francisco de Assis. Foto: Ricardo Medeiros. Imagem disponível em 10/04/2012 no site: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/04/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1173814-historia-revelada-vestigios-de-cemiterio-antigo-em-convento.html
 
Agora os historiadores vão investigar e tentar identificar a época em que essas pessoas morreram e a qual comunidade deviam pertencer.

"Vamos elaborar estratégicas de como investigar melhor esses ossos. Separá-los por época, talvez descobrir a idade dos ossos, se tinha alguma doença (como artrose), até se eram mais pobres, escravos ou da elite. Para, depois, recondicionar todos de volta para o ossuário, que hoje está cheio de infiltrações e é muito úmido, precisando de melhorias", explica o arqueólogo Henrique Antonio Valadares Costa.

Descoberta

Os ossos estavam abaixo da entrada da câmara, localizada embaixo do monumento aos franciscanos, feito pela Prefeitura de Vitória em 1924. Entre a ossada ainda foi encontrada uma urna, que seria de uma senhora rica do século XIX, moradora de Nova Almeida, Serra.

O ossuário é pequeno, com cerca de 3 metros de profundidade, em área de quatro metros de largura.

Mudanças ao longo dos séculos

Pioneiro

O Convento de São Francisco, no Centro de Vitória, foi fundado em 1591, já como convento. Era o segundo do país. Até então, só tinha o de Olinda, em Pernambuco

Aqueduto

O prédio ainda foi o primeiro a receber água encanada (aqueduto), em Vitória. A água ia de Fonte Grande até a cozinha do convento

Despedida

O último guardião franciscano viveu até 1855, data que coincide com o período de epidemia e muitas mortes em Vitória, por conta de doenças como febre amarela e cólera. O prédio ficou abandonado

Padre francês

Em 1924, o convento volta a ser ocupado, agora pelo orfanato Cristo Rei, erguido pelo padre francês Leandro. Foi ele quem mudou o espaço físico do convento e acabou derrubando as paredes onde estavam enterrados pessoas importante da época, como o Frei Pedro Palácios e, talvez, Vasco Fernandes Coutinho Filho

Mudanças

Outras mudanças, como a construção da rua lateral, alteraram o terreno do antigo convento, descobrindo mais dois cemitérios: o usado pela prefeitura, em meados do século XIX, para enterrar as vítimas das epidemias; e um outro, usado pela igreja, para enterrar alguns de seus fiéis mais próximos.
 

terça-feira, 20 de março de 2012

Espírito Santo: Santa Leopoldina lança Circuito Turístico dos Cemitérios

Foto: Julio Huber. Imagem disponível em 20/03/2012 no site: http://www.montanhascapixabas.com.br/index.php?x=materia&codItem=736&codArea=4


Por Julio Huber. Notícia publicada, em 21/07/2010, na seção "Santa Leopoldina >> Turismo" do site: http://www.montanhascapixabas.com.br


Nos últimos anos têm sido criados diversos circuitos turísticos no Estado. Entretanto, um lançado esta semana no município de Santa Leopoldina, região Serrana, tem chamado a atenção por ser diferente dos demais. Ao invés de circuitos gastronômicos, de cachoeiras ou de agroturismo, foi lançado o primeiro Circuito dos Cemitérios do Estado.

O que pode parecer estranho em primeiro momento, é bastante comum em diversos países do mundo. Na França e na Argentina, por exemplo, alguns cemitérios se tornaram pontos turísticos que atraem milhares de viajantes do mundo inteiro.

Em Santa Leopoldina, o objetivo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo é homenagear pessoas ilustres e lembrar a história dos moradores já falecidos que contribuíram de alguma forma com a formação e o desenvolvimento da cidade. Segundo o secretário, Jefferson Rodrigues, o Jefinho, 9 túmulos fazem parte do circuito.

“Nesta primeira etapa do projeto os turistas poderão visitar 9 túmulos, localizados em um cemitério do centro, um na localidade de Suíça, um em Luxemburgo, e uma Igreja no Tirol. A maioria já foi sinalizada com placas que contam a historia dessas pessoas ilustres”, explicou o secretário.

Ele destacou ainda que mesmo tendo uma aparência muitas vezes triste, os cemitérios, principalmente os mais antigos, guardam belas e ricas surpresas e histórias. “Falamos que os cemitérios são museus ao céu aberto”.

Entre os túmulos que fazem parte do roteiro estão o do jogador José Fontana, que entre alguns títulos conquistados do Brasil, também foi campeão da Copa do Mundo de 1970. Há também o da menina Maria Gilda, que morreu afogada em uma bacia de água. O seu túmulo permanentemente está cheio de água, que segundo algumas pessoas é milagrosa. Existem também túmulos de famílias importantes, artistas e políticos.

Quatro turistas de Aracaju (SE), que visitaram Santa Leopoldina na última terça-feira, aproveitaram para conhecer o curioso circuito turístico. O representante comercial José Felisberto Ferreira, 53 anos, disse que nunca havia visitado um cemitério como ponto turístico de uma cidade.

“É muito diferente esse tipo de opção turística. Entendo que é uma forma de mostrar quem foram as pessoas importantes do município”. A esposa dele, Simone Huber e o casal Marcílio Huber e Ilza Maria do Nascimento Huber, todos de Aracaju, foram os primeiros a visitarem o novo circuito, juntamente com um grupo de jovens de Santa Leopoldina.

Túmulo de campeão da Copa do Mundo de 1970 faz parte o circuito
 
Foto: Julio Huber. Imagem disponível em 20/03/2012 no site: http://www.montanhascapixabas.com.br/index.php?x=materia&codItem=736&codArea=4

Nascido em Santa Teresa em 31 de dezembro de 1940, José de Anchieta Fontana jogou no Vasco da Gama, onde formou uma dupla defensiva com o jogador Brito. Em 1969 ele deixou o Vasco para defender o Cruzeiro, quando a dupla foi desfeita.

Em 1970, Brito foi contratado pelo Cruzeiro e voltou a jogar com José Fontana. No mesmo ano a dupla foi convocada para disputar a Copa do Mundo de 1970, sagrando-se campeã do mundo pelo Brasil.

Ele encerrou a carreira em 1972. Oito anos mais tarde, durante uma partida de futebol entre amigos, Fontana sofreu um ataque cardíaco e morreu, aos 39 anos. Ele foi sepultado ao lodo de seus pais, no cemitério da Sede de Santa Leopoldina. A Rua José de Anchieta Fontana, na Sede do município, leva o nome em sua homenagem.

Entre os títulos de José Fontana se destacam: Campeonato Capixaba em 1959 e 1962; Taça Guanabara em 1965 e 1967; Torneio Rio São Paulo em 1966; Campeonato Mineiro em 1969 e 1972 e campeão na Copa do Mundo de 1970.

História de milagres em túmulo de Maria Gilda
 
Foto: Julio Huber. Imagem disponível em 20/03/2012 no site: http://www.montanhascapixabas.com.br/index.php?x=materia&codItem=736&codArea=4

Um dos túmulos que chama a atenção dos turistas é o da recém-nascida Maria Gilda. Filha do farmacêutico Silvestre Ferreira e de Lucia Reisen e neta de Maria Zelinda Avancine e José Reisen, ela faleceu em janeiro de 1923 afogada em uma banheira.

Em sua homenagem foi construído um mausoléu, onde a cruz esta sob uma armação de concreto. A parte interna é concretada e oca, onde permanentemente está cheio de água, mesmo nos longos períodos de estiagem.

A origem dessa água é tida como milagre. Antigamente muitas caravanas, de vários lugares do Brasil, visitavam em romarias o túmulo em busca de curas para mais diversas doenças, como o câncer. Muitos se dizem curados até hoje. Os mais velhos moradores da cidade contam que a avó, Dona Maria, foi a mulher mais caridosa que o município teve e que seu sepultamento foi o mais concorrido dos já realizados na cidade.

Os zeladores do cemitério Aete Nunes, 57 anos e Luciano Lihtnhld, 65, disseram que duvidaram que o aparecimento da água era milagre. “Certo dia retiramos a água do túmulo, que em 15 minutos estava cheio novamente. Pensávamos que era apenas água empossada. Especialistas já fizeram analises aqui e disseram que não há lençol freático ou algo parecido. Só pode ser milagre mesmo”, acredita Aete.

Como chegar a Santa Leopoldina

Santa Leopoldina, que integra a Rota Caminhos do Imigrante, esta localizada Região das Três Santas (Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa e Santa Leopoldina). O município fica a 48 quilômetros de Vitória. Para chegar basta passar por Cariacica Sede, com entrada na Rodovia do Contorno.

Conheça os túmulos do circuito

Francisco Schwarz

Foi uma das maiores autoridades na história de Santa Leopoldina. Estudioso de etnias, ele publicou dois livros. Nasceu em Santa Leopoldina e exerceu cinco mandatos de deputado estadual e prefeito. Ele abriu a maior parte das estradas do município. Após aposentado ele começou a pintar e se destacou na arte.

Luiz Holzmeister

Foto: Julio Huber. Imagem disponível em 20/03/2012 no site: http://www.montanhascapixabas.com.br/index.php?x=materia&codItem=736&codArea=4

Luiz Holzmeister Filho era promotor de justiça no município quando faleceu. Foi prefeito de Santa Leopoldina e construiu o prédio da prefeitura. Luiz também criou o Museu do Colono, situado na rua principal da cidade e no prédio que era residência de sua família. O museu é uma das principais atrações turísticas da cidade.

Albert Richard Dietze

Nasceu na Alemanha, em 1838. Em 1869 migrou para o Brasil, passando a trabalhar no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Pouco depois instalou a sua "Photographia Alemã". Em 1874 o fotógrafo transferiu seu estúdio e residência em Santa Leopoldina. Ele foi um dos mais importantes fotógrafos da época e faleceu em Santa Leopoldina em 1906.

Família Vervloet

A Família Vervloet deixou a Bélgica em dezembro de 1858 chegando ao Brasil em abril de 1859. No mesmo ano fixou residência em Santa Leopoldina. A família iniciou diversos ramos de comércio no município e realizou a primeira exportação de café para a Europa, a construção das primeiras casas residenciais e comerciais, a iluminação da cidade, o abastecimento da cidade com água encanada e a exploração do Rio Santa Maria.

Família Reisen

Foto: Julio Huber. Imagem disponível em 20/03/2012 no site: http://www.montanhascapixabas.com.br/index.php?x=materia&codItem=736&codArea=4

A história de sucesso da Família Reisen começou em 1899 com José Reisen. Ficou órfão de pai com apenas 4 anos de idade e foi adotado pelo tio Jean Baptiste Vervloet. Com 24 anos passou a ser o procurador dos seus negócios, quando seu tio deixou o município de Santa Leopoldina para residir no Rio de Janeiro. Ele foi um dos responsáveis pela construção da estrada de liga Santa Leopoldina a Santa Teresa.

Família Vervloet (cemitério de Luxemburgo)

Jean Joseph Vervloet e sua esposa Anne Marie Van Isterdael deixaram a Bélgica em dezembro do ano de 1858 acompanhados dos filhos. Eles deixaram importantes contribuições para o desenvolvimento do município.

Padre Hadrianus Lantchener

O Frei Hadrianus Lantchener era originário da região de Innsbruck, Áustria. O Frei chegou ao Espírito Santo em 1856, onde fundou a Paróquia de São José do Queimado, tendo prestado serviço religioso também na comunidade de Santa Isabel. Em 1860 Santa Leopoldina recebeu a visita do Imperador D. Pedro II e na ocasião o Frei celebrou a missa na Capela de Nossa Senhora do Patrocínio. Ele morreu em 23 dezembro de 1868 e foi enterrado no cemitério que ele mesmo construiu.


Veja também:

"Após viagem, capixaba se apaixona por turismo em cemitérios: O Circuito dos Cemitérios é um projeto de turismo inédito no estado."

sexta-feira, 2 de março de 2012

Jerusalém: Túmulo do século I pode esconder exemplo mais antigo de arte cristã


Ossários têm inscrições em grego e uma imagem que remete para a história de Jonas

Jonas na boca de um peixe, num túmulo em Jerusalém. Imagem disponível em 02/03/2012 no site: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=53273&op=all


Notícia publicada em 28/02/2012 no site CiênciaHoje - Jornal de Ciência, Tecnologia e Empreendorismo ( http://www.cienciahoje.pt ).


A exploração arqueológica, em 2010, de um túmulo intacto do século I, em Jerusalém, revelou aquilo que pode ser a mais antiga imagem cristã. A investigação foi feita utilizando uma câmara robótica que mostrou um conjunto de ossários em pedra calcária, gravados com uma inscrição grega e uma imagem que os especialistas identificam como sendo “claramente cristã”.

A inscrição grega de quatro linhas num dos ossários refere-se a deus “elevando” ou “erguendo” alguém e a imagem esculpida na pedra num ossário adjacente mostra um peixe muito grande com uma figura humana na boca. Os especialistas consideram que se trata da evocação da história de Jonas, profeta do Antigo Testamento.

No relato bíblico, Jonas foi engolido por um peixe, no mar Mediterrâneo, quando fugia de uma missão que lhe tinha sido destinada na Assíria pelo próprio Deus de Israel. Passou três dias e três noite na barriga do peixe antes de ser regurgitado. No Novo Testamento, nomeadamente no evangelho segundo São Mateus, Jesus refere-se ao “sinal de Jonas” como símbolo da sua futura ressurreição, três dias depois de morrer.

As imagens de Jonas na arte paleocristã (século II d. C.), simbolizando a esperança na ressurreição, são bastante comuns, nomeadamente nas catacumbas romanas. Não havia até agora registo de arte cristã relativa ao primeiro século. Os investigadores não acreditam que a imagem tenha sido realizada por seguidores do judaísmo, visto que na cultura judaica não são permitidas imagens de pessoas ou animais.

O túmulo investigado data de antes do ano 70 d. C., altura em que deixaram de ser utilizados ossários devido à destruição da cidade de Jerusalém pelos romanos. Se esta imagem for realmente cristã, será o registro arqueológico mais antigo deste tipo de arte, realizada pelos primeiros seguidores de Jesus.

O estudo está publicado online desde hoje (28/02/2012), num artigo de James Tabor, investigador da Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte. A publicação do artigo é simultânea com a edição do livro «The Jesus Discovery: The New Archaeological Find That Reveals the Birth of Christianity», do mesmo autor e de Simcha Jacobovici, professor e realizador. Na próxima Primavera, o canal Discovery vai transmitir um documentário sobre esta descoberta.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Curitiba (PR): Jovens aprendem História no cemitério


O professor Edilson Aparecido Chaves adotou o Cemitério Municipal de Curitiba como objeto de estudo para suas aulas. Foto: Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo. Imagem disponível em 28/02/2012 no site: http://www.gazetadopovo.com.br/ensino/conteudo.phtml?id=1184908 
 
 
Por Adriana Czelusniak - educacao@ga­zeta­do­povo.­com.br Notícia publicada em 26/10/2011 na Seção de Ensino "Dica de Mestre" do Site do jornal Gazeta do Povo << www.gazetadopovo.com.br >> do estado do Paraná.
 
O estranhamento inicial é comum. Afinal, o que fazem um professor e uma turma de 70 adolescentes entre os túmulos do Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em Curitiba? A resposta é simples: o estudo da História. As visitas ao cemitério fazem parte de um projeto educacional do professor de História do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Edilson Aparecido Cha­­ves, mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Os estudantes, que têm entre 14 e 17 anos, estão matriculados nos cursos técnicos de Processo Fotográfico e Informática. O professor diz que todos adoram participar do projeto, mas nem todos estavam convencidos de que seria uma boa ideia estudar no cemitério. “Quando eu disse que íamos fazer a pesquisa, eles ficaram um pouco desconfiados. Afinal: ‘Cemitério é lugar de mortos’, diziam. Eu respondia que no cemitério a História parou para quem está lá, mas não para quem visita”, conta Chaves.

Longa duração

Segundo ele, o projeto tem longa duração; teve início com as turmas deste ano e continuará com as dos anos seguintes. A proposta é que cada turma dê continuidade ao trabalho já desenvolvido. “Em geral, quando nós professores pedimos pesquisas para nossos alunos, elas se encerram com a entrega do trabalho. Neste caso, a investigação vai além: busca entender o processo de pesquisa e seu objetivo, que tem o intuito de construir novos documentos sobre o que é o cemitério”, explica.

Fazem parte do projeto estudos teóricos, conversas com especialistas, visitas com um dos quatro professores que participam do projeto, fotografias e, no final, a construção de um livro eletrônico sobre a investigação, que deve ser publicado, a partir do próximo ano, no site do IFPR.







terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Breve Relato Histórico Sobre a Construção do Cemitério de Protestantes de Cachoeira – Bahia

Portal do Cemitério de Protestantes de Cachoeira em 2007. Foto Luiz Claudio Dias do Nascimento. Imagem disponível em 14/02/2012 no site: http://cacaunascimento.blogspot.com/2010/04/breve-relato-historico-sobre-fundacao.html


Por Luiz Cláudio Dias do Nascimento. Fragmento do artigo intitulado "Breve Relato Histórico Sobre a Fundação da Igreja Presbiteriana e Construção do Cemitério de Protestantes de Cachoeira – Bahia" postado em 30/04/2010 no blog: "Cachoeira On Line" ( http://cacaunascimento.blogspot.com/ ) editado pelo autor do mesmo. 

No dia 13 de abril de 1857, a Mesa administrativa da Irmandade de São João de Deus da Santa casa de Misericórdia enviou ofício às irmandades religiosas católicas de Cachoeira solicitando a cada uma delas construir, à suas expensas, carneiras no cemitério que estava sendo construído na cidade de Cachoeira .

Com exceção da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Sagrado Coração de Maria do Monte da Rua Formosa, conhecida como Irmandade dos Nagôs, que alegou possuir seu cemitério próprio, construído em 1856, da Irmandade de Nossa Senhora da Ajuda, que não era constituída formalmente, e da Irmandade da Ordem Terceira do Carmo, a Confraria do Amparo autorizou construir 40 carneiras, a Irmandade do Santíssimo Sacramento, construiu 15 carneiras, a Irmandade do Senhor Bom Jesus da Paciência adquiriu 20, a de Senhor Bom Jesus dos Martírios 20, a de Nossa Senhora do Rosário 25, a Irmandade da Conceição do Monte construiu 12 e a Irmandade de São João de Deus construiu 50 carneiras. Dezessete anos depois, em 1874, a Irmandade de São João de Deus inaugurava o equipamento, que ganharia a denominação de Cemitério Piedade. Antes da construção formal do mencionado cemitério, a Irmandade de São João de Deus sepultava seus mortos, e os falecidos no seu hospital da Santa Casa de Misericórdia, num arrabalde da então vila, localizada na imediação da estrada que dava acesso ao Capoeiruçu, uma zona rural de Cachoeira. Esse cemitério foi criado provisoriamente e de forma emergencial para sepultar vítimas da epidemia do cólera morbus, que vitimou milhares de pessoas no Recôncavo baiano entre 1550-60. Numa data não especificada, próximo ao cemitério fundado pela Irmandade de São João de Deus na proximidade da estrada de Capoeiruçu, havia um cemitério construído por protestantes. O termo “protestante” remete ao grupo de europeus não portugueses (alemães, ingleses, suíços de orientação religiosa luterana e calvinista, isto é, protestantes) que, como foi mencionado acima, chegou a Cachoeira (por extensão ao Recôncavo baiano), motivado pela implantação da ferrovia e pela industrialização do fumo nessa região a partir da segunda metade do século XIX.

Baseado na data de fundação da Igreja Presbiteriana em Cachoeira, acima analisada, o referido cemitério, que era uma reivindicação desse grupo religioso, certamente foi construído em meados ou final do século XIX. Não dispomos de peças documentais que ofereçam suportes para afirmar, mas é possível afirmar que as terras onde foi erigido esse cemitério foram compradas por Feliciano José de Araujo Lima. Vale ressaltar que no livro de atas da Igreja Presbiteriana de Cachoeira, corforme relata o já mencionado pastor Gevaldo Simões Sobrinho, consta um texto intitulado “Palavras proferidas na ocasião de se enterrar o Sr. Feliciano José de Araújo Lima”. Diz o pastor Gevaldo Simões que Feliciano é o primeiro nome da seção de “Óbitos” do livro de atas, onde consta que ele faleceu no dia 8 de abril de 1877 e foi sepultado no dia seguinte “no terreno que ele mesmo comprou para servir de cemitério para os acatólicos na Cachoeira”. Seis anos depois do falecimento, em 1883, José da Costa Ferreira, “procurador da Sociedade Fraternal Evangélica”, solicita à Câmara autorização para construir “seu cemitério”transferindo do alto da Rua da Feira, onde presentemente é edificado, para o alto dos Currais Velhos, a um [ao] lado [do cemitério] da Santa Casa” . O “alto da Rua da Feira” em referência é hoje denominado Cucuí de Brito, com suas ruelas e becos. Já o “alto dos Currais Velhos a um lado da Santa Casa” citado no documento é seguramente a atual Rua Stela (ou Rua André Rebouças).

Neste sentido, podemos afirmar que sem embargo as terras onde atualmente está assentado o Cemitério de Alemães (e também de Protestantes, acatólicos,exclusivamente para edificação do referido cemitério, de Estrangeiros, etc.), foram adquiridas em 1883 através da referida Sociedade Fraternal. No mesmo ano de 1883, o conselheiro municipal Francisco Vicente de Oliveira emitiu parecer em sessão ordinária, dizendo que “Attendendo as necesidades sentidas na Freguesia de São Felix de um cemitério, e ainda attendendo a utilização rel que pode elle prestar áquella população, proponho que do producto do imposto sobre o fumo em folha arrecadado no município no próximo exercício seja designado a quantia de três contos de reis destinado excluzivamente para edificação do referido cemitério, a crescentando-se [sic] na redacção do respectivo paragrapho o seguinte: três reais sobre kilograma de fumo em folha exportado do município, tirando-se a quantia de 3:000$000 desta verba para ser aplicado exclusivamente a factura de um cemitério na freguesia de São Felix. Cachoeira, 30 de abril de 1883”.

O que se pode reter deste parecer é que o grupo de europeus protestantes moradores na zona fumageira do Recôncavo baiano se impunha pela sua inserção econômica na região, e também pela sua inserção política diferenciada enquanto um grupo que se unia de forma identitária, tendo como elemento de referência a sua orientação religiosa protestante. As terras onde foi erigido o cemitério de Alemães pertenciam à Irmandade de Nossa Senhora da Conceição do Monte. Como foi citado em linhas acima, Fiuza fez doações de parte de suas terras, que no limiar do século XIX estavam sendo urbanizadas. Certamente as terras que foram vendidas para a Sociedade Fraternal Evangélica pela Irmandade de Nossa Senhora da Conceição do Monte foi uma das que em épocas anteriores à década de 1870 foram para ela doadas por José Antônio Fiúza da Silveira ou por seus herdeiros em épocas posteiores. A partir dessas evidências, é possível concluir, que a aquisição da chácara por parte da Fábrica de Charutos Suerdieck não se limitou unicamente em ampliar a sua área industrial, muito menos dotar à empresa de um laboratório de seleção de sementes de fumos, como foi utilizado o antigo quintal da chácara.

Tudo o que foi aqui dito leva a crer que a sua aquisição teve também como objetivo resgatar um espaço que tinha um significado simbólico importante para um pequeno, mas significativo núcleo de europeus protestantes que deixou marcas indeléveis nessa porção territorial do Recôncavo baiano. O Cemitério de Protestantes, como já foi aqui assinalado, está localizado no cume de uma ladeira que dá nome Rua Stela, atualmente denominada Rua André Rebouças. Trata-se de uma rua estreita, onde à direita existem casas vernaculares construídas no sopé de uma propriedade rural fragmentada da antiga chácara, resultante da divisão de propriedade quando da venda efetuada pela Irmandade de Nossa Senhora da Conceição do Monte, em 1907, lado esquerdo existem casas igualmente vernaculares construídas no declive do limite dos quintais das casas da Rua dos Artistas, a antiga Rua do Mata Burro, atualmente rua dos Artistas. O cemitério é uma construção simples, pequena (aproximadamente 600m2), composto de um portal em estilo gótico, que evidencia sua influência européia, com portão de ferro batido, protegido por um muro de aproximadamente 2 metros de altura. Vizinho existe uma casa onde residia o coveiro e vigia, atualmente ocupado pelo filho de um por um antigo operário da Suerdieck e funcionário do cemitério. Na entrada do cemitério existem colunas de ferro fundido, que sustentavam uma cobertura de telhas com frisos laterais de materiais não identificado.

Situação atual do Portal do Cemitério de Protestantes de Cachoeira. Foto Dilma L. C. Sentges. Imagem disponível em 14/02/2012 no site: http://cafehistoria.ning.com/group/historiadoscemitrios  





Em toda a extensão do cemitério os jazigos são dispostos de forma paralela uns aos outros. Os jazigos são separados paralelamente. No bloco à direita da entrada do cemitério os jazigos são diferenciados dos outros blocos. Nessa parte os blocos são menores, certamente porque destinavam ao sepultamente de crianças. São poucos os jazigos preservados nesse bloco, visto que foram violados sem motivos aparentes. As lápides são simples, pequenas e artisticamente diferenciadas das lápides de cemitérios católicos. São elas caixas construídas em tijolos que afloram do chão, cobertas por uma placa de mármore, pedras e granito e cercadas por uma grade de ferro fundido e artisticamente trabalhados. Na cabeceira, em vez de epitáfios que caracterizam as lápides católicas, a maioria é constituída de placas de mármore com inscrições em baixo relevo contendo o nome, data de nascimento e falecimento do indivíduo, escritos em alemão e e em inglês No Cemitério de Protestantes foram sepultados indivíduos pertencentes até a segunda geração de europeus chegados na década de 1870 e início do século XX, ou seja, até aproximadamente a década de 1960. Verifica-se, contudo, a existência de jazigos datados da década de 1980, alguns em verdade constituídos de restos mortais de indivíduos falecidos em épocas anteriores e sepultados em outros cemitérios, sendo posteriormente trasladados para jazigos familiares naquele cemitério.

Na década de 1950, no entanto, a Igreja Presbiteriana de Cachoeira não mais possuíam membros – ou possuíam poucos membros - de sobrenome alemão, inglês ou suíço, embora descendentes seus permanecessem residindo e se envolvendo por relações matrimoniais com antigas famílias portuguesas e até mesmo negras da região e professando outros segmentos religiosos cristãos não-protestantes (católicos, por exemplo). Em meados da década de 1950, por exemplo, padres missionários alemães realizavam missas na igreja matriz local, e procissões acompanhadas por alemães católicos residentes em Cachoeira e São Félix . Do mesmo modo, ao longo do tempo a Igreja Presbiteriana de Cachoeira foi aos poucos acolhendo adeptos de variados estratos sociais, étnicos e de outras orientações religiosas, inclusive adeptos do candomblé.

A Igreja Presbiteriana de Cachoeira, enfim, se tornou aos poucos, do ponto de vista da etnicidade, uma instituição mestiça. Por causa desses fatores, entre outros, atualmente o equipamento encontra-se abandonado. Tal desinteresse deve-se ao fato de a referida instituição religiosa ter perdido suas referências históricas. A maioria dos jazigos foi depredado ou sofreu degradação devido a ação do tempo, necessitando de urgente intervenção para conter a sua iminente destruição. Localizada em meio a uma área de recentes e desordenadas construções de casas, o equipamento sofre ameaça de ser invadido.

Descaso total com o cemitério de protestantes (também chamado de "cemitério dos alemães") de Cachoeira. Foto Dilma L. C. Sentges. Imagem disponível em 14/02/2012 no site: http://cafehistoria.ning.com/group/historiadoscemitrios 


A Igreja Presbiteriana de Cachoeira não manifesta interesse em preservar o cemitério, embora, como foi discutido, seja de fato e de júri a proprietária do equipamento. Em 1914, o cachoeirano Augusto Duarte registrou o falecimento de Aurélia Bertha Kiesler, de 48 anos, “ocorrido às 11:30 h. na Rua 25 de Junho, filha do Conde General de Kiesler e da condessa de Kiesler, casada com Frederico Hüpsel, natural da cidade de Neustadt Oberschlenn Kreisrtadt, na Alemanha, residente em Cachoeira”. A nobre alemã era mãe de Oceanna, Alfredo, Carlota, Gertrude, Anna, Hebert, José e Elsa. Como já foi dito, observando-se os jazigos preservados, verifica-se que até a década de 1940 o Cemitério dos Protestantes não realizava regularmente sepultamentos, mas pelo menos abrigava restos mortais de “estrangeiros”. Analisando tais jazigos, é possível identificar nome de pessoas que ainda possuem descendentes em Cachoeira, ou de pessoas que não são naturais ou residem nela, mas que mantém relações afetivas por relações de ancestralidades.

Algumas famílias são aqui citadas a partir de inscrição de suas lápides. São elas: Sophia Martfeld, nascida em Bahia [Salvador], em 19 de março de 1870, era filha de Konrad Martfeld, alemão que se estabeleceu em Cachoeira como plantador e exportador de fumos. Possui descendentes em Cachoeira, que preserva ainda um pequeno fabrico de manufatura de fumo. Walter Dannemann; geb 8 marz 1890; gest 14 august 1892, (nascido em 8 de março de 1892 e falecido em agosto de 1892), filho de Gerald Dannemann; Gerald Dannemann era natural de Bremem. Gerald era filho de Gerald Dannemann e Ottilia Danneman, e casado com Aleluia Navarro, filha do Dr. Antonio Rodrigues Navarro de Siqueira e Joanna Navarro de Siqueira, naturais de Salvador. Gerald Dannemann nasceu em 23 de abril de 1851 e Aleluia em 7 de abril de 1860, sendo testemunhas de casamento Carl Friedrick Schramm, natural de Bremen, negociante em Salvador, e José Isidoro Reppol, baiano de Salvador, engenheiro. Sophia Schramm, geb 16 mai 1918; gest 31 october 1920, era filha de Otto Schramm. Outra família Sharamm, sem vínculo de parentesco com seu patrício Otto Schramm e Bertha Schramm. Esta Bertha Schramm foi casada com Heinrich Schramm, que era tia de Sophia Martfeld, que era casada com Alberto Conrado Martfeld. Consta no seu inventário que Bertha Schramm faleceu na casa do súbdito allemão Alberto Conrado Martfeld, num sobrado existente no fundo da Estação Ferroviária de Cachoeira, o qual era casado com sua sobrinha Sophia Martfeld Bertha. Heinrich Schramm possuía imóvel à Rua Ponte Nova, 5, e faleceu na casa do “súbdito allemão Alberto Conrado Martfeld, o qual era casado com sua sobrinha Sophia Martfeld”. Bertha possuía herdeiros no estrangeiro (Alemanha e Argentina). Residiu, depois de viúva, com o já citado negociante Alberto Conrado Martfeld. Ela era alemã e seus familiares eram ligados à Igreja Luterana, conforme documento anexado na arrematação . O alemão Alberto Conrado Martfeld, agora com o nome aportuguesado, era filho dos alemães Konrad Joseph Martfeld e Nitte Maria Martfeld, naturais de Bremen, Alemanha, ambos luteranos. Otto Schramm, “gest 18 de abril de 1869 geb 17 de marz 1934”, era proprietários de terras em algumas localidades próximas de Cachoeira, onde plantava tabaco para exportação e fornecimento para fábricas de fumos da região. Alguns descendentes residem atualmente em Brasília, Rio de Janeiro e Salvador; Rudolf Gaeschlin; geb 23/11/1877; gest 17/01/1938, fazendeiro e proprietário de terras na zona açucareira de Cachoeira. Identificamos cinco europeus de variadas nacionalidades moradores de São Félix que eram protestantes e foram sepultados no citado cemitério. Eram eles: Sydney Clement Dore, inglês, natural de Londres, maquinista da Estrada de Ferro Central da Bahia, casado com América Tavares, brasileira. Em 1890, ano de seu falecimento, Sydney tinha 23 anos. Era filho de Thomas Bert Dore e Maria Luísa Dore, O outro era Carlos [Carl] Cristiano Emilio Deter, filho de Henrique João Deters e Carolina Mendes Deters, 41 anos, natural de Hamburgo, Alemanha . Pedro Cupertino e Philomena Galizia. Pedro Cupertino era filho de Cupertino e Maria Rosa, italiano, 45 anos, Maria Rosa era viúva, 35 anos, filha de Nicolau Galizia Rosa. João Carlos Frederico Simões, filho legítimo de Frederico Simões e Helena Simões, 45 anos, natural da Alemanha, e Angélica Senhorinha Pereira Baião, 29 anos, natural de Salvador, filha de Manoel Marcolino Pereira Baião e Tecla Maria do Pilar Baião.

Felix Angelotti, filho natural de João Angelotti e Rosa Maria Angelotti, 32 anos de idade, e D. Cândida Laudelino de Queiroz, 16 anos, cachoeirana, filho de José Machado de Queiroz e Simpliciana de Jesus Queiroz, de São Felix. Igualmente europeus residentes em São Felix que possuem lápides no Cemitério de Protestantes são os cinco nomes que não foi possível encontrar referências documentais. São eles: Ernst Jorn; geb 27/11/1884 in Uslar Deutschland; gest 19 februar 1910 in São Félix; Johann Rudolf Schrader; geb in Barsbuttel, 17 august 1874; gest in St. Félix [São Felix] 24 april 1899; Franz L. Reiske – 28.IX.1901/01.11.1923; Erwin Stanffert; geb 03/01/1900; gest 22 de mai 1926; Franz Feuerherd; geb 17/01/1876; gest 09 de maio 1931.