A morte nos faz cair em seu alçapão, / É uma mão que nos agarra / E nunca mais nos solta. / A morte para todos faz capa escura, / E faz da terra uma toalha; / Sem distinção ela nos serve, / Põe os segredos a descoberto, / A morte liberta o escravo, / A morte submete rei e papa / E paga a cada um seu salário, / E devolve ao pobre o que ele perde / E toma do rico o que ele abocanha.
(Hélinand de Froidmont. Os Versos da Morte. Poema do século XII. São Paulo : Ateliê Editorial / Editora Imaginário, 1996. 50, vv. 361-372)

domingo, 6 de junho de 2010

São José do Barreiro (SP): Cemitério é palco da Revolução de 1932

Imagens disponíveis em 06/07/2010 no site: http://www.classelider.com/noticia/?new_id=2232




Artigo postado em 16/07/[2009] as 17h09, na seção "Notícias" do jornal CLASSE LÍDER [http://www.classelider.com].




O mês de julho é representativo para a história do Vale Histórico. Marcado por batalhas em diferentes contextos, ele engloba homenagens como a realizada no último final de semana em São José do Barreiro pelo aniversário do conflito entre legalistas e paulistas no cemitério da cidade durante a Revolução de 1932.



Julho também foi o mês em que foi morto Manoel José Guedes Silveira, um dos conservadores da elite agrária de Silveiras quando se deu a breve Revolução Liberal de 1842.



Conflitos, estes, distintos, o ocorrido no século 20 costuma ser lembrado com mais ênfase. Trata-se de quando os paulistas, insatisfeitos com o Governo Provisório de Getúlio Vargas, instauraram uma revolução em defesa de uma nova constituição. Voluntários e militares do estado de São Paulo se deslocaram para os territórios limítrofes com o Rio de Janeiro e, no dia 9 de julho de 1932, foi dado o tiro que deu início à batalha.

De um lado, os legalistas [soldados do governo] partiam para o ataque afim de sufocar a revolta. Do outro, militantes paulistas se uniam para enfrentá-los com armamento diferenciado e estratégias que, de início, renderam bons resultados. Em São José do Barreiro, os combatentes paulistas - em quase 90% formados por voluntários - estavam armados com espadas cujas pontas eram mais arredondadas que as dos adversários. As espingardas também tinham particularidades como estrutura mais alongada e balas mais grossas que provocavam maior impacto em quem era atingido por um tiro. A estratégia dos revoltosos nessa cidade foi adotar o cemitério como acampamento, uma vez que ele ficava em uma área alta e de visibilidade privilegiada do entorno.

Mas no dia 13 de julho, em um ataque surpresa, os legalistas atacaram os paulistas dentro do cemitério. As marcas desse conflito podem ser vistas até hoje em árvores e túmulos locais. A historiadora Ludmila Pena Fuzzi, do IPHR (Instituto de Pesquisa Histórica Regional), desenvolve um trabalho de campo no local e conta que moradores antigos relataram fatos ocorridos ali, na época - muitos deles já foram confirmados por pesquisadores.

“Os paulistas estavam vencendo a batalha em terra, como nos contaram os moradores, e pudemos comprovar por meio de vestígios deixados pela batalha. Mas quando o exército brasileiro se deu conta da força dos paulistas, enviou os vermelhinhos e bombardeou o território”, disse Ludmila. Os vermelhinhos eram aviões leves, com lugar para duas pessoas. Deles foram jogadas granadas feitas com pólvora, que deixaram os paulistas em desvantagem.

“O cemitério é o único do Estado que é composto por palmeiras imperiais. Elas ajudavam os resistentes a se esconderem. Os legalistas só chegaram até eles, no dia 13 de julho, porque alguém lhes deu essa informação”, disse.
O pesquisador Tacilim Oréfice, do IPHR, conta que alguns túmulos hoje são afundados no solo por consequência da ação desses explosivos. “A degradação desse patrimônio começoucom essa batalha”, disse.

À ÉPOCA, OS COMBATENTES ERAM QUASE TODOS VOLUNTÁRIOS



Os combatentes da Revolução de 1932 em São José do Barreiro eram, em maioria, jovens entre 23 e 34 anos, em grande parte voluntários.



Eram civis que se uniam à causa paulista. Uma das marcas do recrutamento de pessoas na época era um cartaz com a imagem de um soldado apontando para quem parasse diante dele. “Era como se dissesse ‘você também tem de vir’”, conta a pesquisadora Ludmila. Nas roupas dos soldados do Governo era bordado o brasão nacional. Na dos combatentes paulistas, havia o emblema do Estado - que é o mesmo até hoje. Não há confirmação de que as mulheres também fizessem parte dos grupos que travavam batalhas em São José do Barreiro, mas sabe-se que muitas delas eram voluntárias no hospital da cidade.

O primeiro tiro da revolução foi dado em 9 de julho, a 10 quilômetros do Cemitério dos Escravos, que ainda não recebia esse nome. “Mas foi um tiro antecipado, porque planejava-se estourar a revolução mais tarde”, disse. O mato alto do cemitério era outro fator que favorecia a camuflagem dos combatentes. Naquela época, não eram feitas manutenção no espaço.

Os revolucionários se alimentavam com o que moradores próximos ao acampamento serviam a eles. A equipe de Ludmila deve fazer escavações para buscar elementos que comprovem o fato, dito por fontes entrevistadas, de que houve uma trincheira em um dos cantos do cemitério.

HISTORIADORES CONFIRMAM LENDA ANTIGA



Uma lenda conhecida entre os moradores de São José do Barreiro foi confirmada pela equipe do IPHR (Instituto de Pesquisas Históricas Regionais) recentemente e tem relação com os conflitos ocorridos no cemitério da cidade - a do roubo de uma imagem na época da Revolução de 32.
Tratava-se de uma imagem pequena de um anjo, que foi encontrada pelos pesquisadores no Asilo Municipal. A história conta que um dos soldados da batalha teria dado um tiro acidental nesta imagem. Com o impacto, a asa do anjo representado quebrou.

O autor do disparo, com medo de ser preso por isso, teria roubado o monumento. “Há mais de 40 anos as pessoas contavam essa história e um dia alguém disse que havia umas peças da Revolução reunidas no Asilo de São José do Barreiro. Fomos até lá e, entre elas, encontramos um anjo pequeno com as asas quebradas e uma marca de tiro”, disse a pesquisadora Ludmila Pena Fuzzi.

CEMITÉRIO - O cemitério de São José do Barreiro foi fundado em 1835 e é repleto de simbologias. Ele recebe o nome de “Cemitério dos Escravos” em razão de uma homenagem prestada no centenário da cidade, em 1959.

“O vigário da época quis comemorar os 100 anos com um monumento com o corpo de três escravos no cemitério. A lápide apresenta os escravos como operários e desbravadores dos sertões, deixando aquele discurso de que eles eram objetos”, disse a historiadora. Pelo formato de trapézio e as ruas em formato de cruz, é possível afirmar que este cemitério era litúrgico - ou seja, pertencia à igreja.

HOMENAGEM - No último final de semana, cerca de 100 pessoas entre moradores da cidade, autoridades e pesquisadores se reuniram na primeira celebração pública realizada no Cemitério dos Escravos. Eles relembraram essa história em uma ação que visava despertar na população uma consciência histórica e de preservação. (Fonte: Valeparaibano
[http://www.valeparaibano.com.br/] ).



sexta-feira, 28 de maio de 2010

Santa Cruz do Sul (RS): Projeto busca preservar o que resta de cemitério

TÚMULOS do cemitério de Alto Linha Santa Cruz, que remontam ao tempo da imigração, podem ser declarados patrimônio do município [de Santa Cruz do Sul (RS)]. Patrimônio Histórico > idéia é incluir local.

Cemitério de Alto Linha Santa Cruz é dos mais antigos da região. Foto: Janaína Zilio / ag. Assmann. Imagem disponível em: http://www.gazetadosul.com.br/default.php?intIdEdicao=2098


Por José Augusto Borowsky (zeaugusto@gazetadosul.com) para a seção "Geral" do Jornal Gazeta do Sul publicado em SANTA CRUZ DO SUL, ANO 66, Nº 102, TERÇA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2010, página 09. Disponível on-line em http://www.gazetadosul.com.br/



O antigo cemitério da Comunidade Evangélica de Alto Linha Santa Cruz, nos fundos da Igreja Evangélica da Avenida Dom Alberto Etges, poderá ser declarado patrimônio histórico de Santa Cruz do Sul. O projeto de lei, de autoria do vereador Nasário Bohnen (DEM), começou a tramitar ontem na Câmara.

O cemitério, que está desativado desde 1962, possui cerca de 100 túmulos e, possivelmente, seja um dos mais antigos da região. Hoje, a limpeza do local é feita, nos finais de semana, pela Juventude Evangélica de Alto Linha Santa Cruz (Jealisc). No entanto, o vereador entende que o grupo poderia contar com o apoio do poder público e isso se torna mais fácil no momento em que integrar o inventário histórico do município.

Atualmente, integram o rol do patrimônio histórico a Catedral São João Batista, o Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz, a Igreja Evangélica e o Cemitério dos Imigrantes de Rio Pardinho, e a antiga Cooperativa Agrícola de Linha Santa Cruz. Para Bohnen, os antigos cemitérios guardam boa parte da história e nomes de pessoas que construíram o município. Por isso, cobra uma atenção maior do poder público.

Outro Aspecto do Cemitério de Alto Linha Santa Cruz. Foto: Janaína Zilio / ag. Assmann. Imagem disponívelem: http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=132580&intIdEdicao=2098

LÁPIDES

Nos túmulos, estão enterradas pessoas que morreram entre 1855 e 1900, entre elas várias crianças. Nas lápides, constam os locais da Alemanha de onde vieram, frases em memória e até informações sobre as atividades que desenvolviam. As datas dos sepultamento mais antigos, possivelmente, se perderam. Conforme o pastor Honório Froeming, logo que os imigrantes chegaram não havia quem confeccionasse lápides. Com isso, as pessoas eram enterradas na terra, apenas com uma cruz de madeira indicando o local.

Nasário Bohnen disse acreditar na aprovação do projeto. No seu entender, o local pode se tornar um ponto turístico do município e uma fonte de pesquisa histórica.

Cemitério dos Imigrantes, em Rio Pardinho, já está protegido por lei. Foto: Janaína Zilio / ag. Assmann. Imagem disponível em:http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=132580&intIdEdicao=2098

Em Rio Pardinho

A Igreja Evangélica e o Cemitério dos Imigrantes, de Rio Pardinho, foi declarado patrimônio histórico de Santa Cruz do Sul em maio de 2004, através de projeto do ex-vereador Hardi Panke. Ele também possui túmulos do século 19, muitos deles bem cuidados. Outros, no entanto, foram pintados e perderam um pouco de suas características.

A coordenadora do Departamento de Cultura de Santa Cruz do Sul, Marli Silveira, explicou que o município ainda não possui lei de tombamento. Com isso, há uma certa dificuldade na fiscalização. Em Rio Pardinho, disse que a própria Comunidade Evangélica tem feito um trabalho de conscientização entre os associados para que mantenham as características do cemitério.

Marli considera positiva a iniciativa do vereador Nasário de preservar o cemitério de Alto Linha Santa Cruz. Destacou que, no futuro, o município deve criar uma lei de tombamento e de implantação do Conselho do Patrimônio Histórico. Mas, para ela, esta lei deve nascer da vontade da comunidade.


Fonte:

domingo, 16 de maio de 2010

Britânicos desvendam mistério de cova com 51 crânios


Análises dos dentes revelaram que as ossadas eram vikings. Cientista analisa um dos esqueletos. (Foto: Oxford Archaeology/Dorset County Council/NERC) Imagem disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1526589-5603,00-BRITANICOS+DESVENDAM+MISTERIO+DE+COVA+COM+CRANIOS.html




As ossadas de 51 pessoas decapitadas encontradas no sul da Grã-Bretanha em junho do ano passado foram identificadas como pertencendo a povos vikings que habitaram o país na virada para o segundo milênio.



Por BBC Brasil
Seção “Ciência” Atualizado em 12 de março, 2010 - 10:09 (Brasília) 13:09 GMT


Desde que a cova foi encontrada em junho de 2009, durante a construção de uma rodovia no condado de Dorset para os Jogos Olímpicos de Londres-2012, arqueólogos vinham tentando desvendar o mistério da identidade daqueles ossos e por que os crânios estavam separados do restante dos corpos.



"Havia muito pouca evidência no local, além de alguns cacos de cerâmica. Para descobrir a data daqueles restos mortais nós enviamos uma amostra dos ossos para uma datação por carbono e espantosamente a data que retornou é do final do período saxônico", disse o arqueólogo David Score, que liderou a equipe do instituto de arqueologia britânico Oxford Archaeology, que desenterrou as ossadas.

A partir do teste do carbono-14, os cientistas concluíram que aquelas pessoas foram mortas entre os anos 910 e 1030.

Nessa época, os anglo-saxões sofriam com as constantes incursões de povos vikings na Grã-Bretanha e conflitos entre líderes dos dois lados por controle da região eram comuns.

"O local do enterro era comumente usado para execuções naquela época", acrescenta Score. A dúvida que permanecia, portanto, era se os executados eram saxões ou vikings.

Análise dentária

Mas as análises dos dentes de dez daquelas ossadas mostraram que aquelas pessoas cresceram em países de clima mais frio do que o britânico. Os cientistas descobriram isso a partir da composição do esmalte dos dentes, influenciada pela água que a pessoa ingeriu quando criança.

O Laboratório de Geociências de Isótopos (NIGL) da agência geológica britânica explica que os países escandinavos, como Noruega e Suécia, possuem um clima mais frio do que a Grã-Bretanha, o que gera um tipo distinto de assinatura dos isótopos no esmalte dos dentes.

Os estudos também mostraram que os donos daquelas ossadas tinham uma alimentação rica em proteínas, que se assemelha a de povos da Suécia

"Trata-se de uma descoberta fantástica. É o maior grupo de estrangeiros que nós já identificamos usando isótopos", disse Jane Evans do NIGL.

"Descobrir que os jovens homens executados eram vikings é uma novidade eletrizante", disse Score.


Vikings teriam sido decapitados com vários golpes de espada por anglo-saxões. A cova de Dorset. (Foto: Oxford Archaeology/Dorset County Council/NERC ) Imagem disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1526589-5603,00-BRITANICOS+DESVENDAM+MISTERIO+DE+COVA+COM+CRANIOS.html


Execução


Com base nas cerâmicas encontradas na cova, os arqueólogos suspeitaram inicialmente que as ossadas datavam de um período entre 800 a.C. e 43 d.C., ou seja, entre a Idade do Ferro e o início da era romana.

Mas os exames do Carbono-14 provaram que os restos mortais eram muito mais recentes.

Os cientistas sabem também que a maioria dos ossos pertencia a adolescentes e jovens, que seriam altos e teriam boa saúde. Há também a suspeita de que eles tenham sido mortos ou enterrados nús, porque não há vestígio de roupas ou adornos na cova.

A forma como suas cabeças foram separadas de seus corpos revelou que eles não foram executados com um machado apropriado para a tarefa, que faria a decaptação em um único golpe. As vítimas teriam sido mortas com sucessivos golpes de espada.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/03/100312_cemiterio_viking_vdm.shtml

sábado, 8 de maio de 2010

Amapá: Mausoléu na selva

Urnas antropomorfas revelam segredos de um povo amazônico extinto há mais de 300 anos

Arqueóloga Vera Guapindaia com urna funerária. Foto: F. Guenet/B. Arnaudo - Revista Veja


Por Bia Barbosa. Artigo publicado com o título: "Mausoléu na selva" na seção Arqueologia da Revista VEJA na edição 1653 de 14/06/2000. Disponível on-line no site: http://veja.abril.com.br


A região do Rio Maracá, um afluente do Rio Amazonas no Amapá, é um dos mais importantes santuários ecológicos da Amazônia. A natureza é exuberante, com trilhas e cavernas que atraem adeptos do turismo de aventura. Esse paraíso nos confins do Brasil tornou-se também ponto de peregrinação de arqueólogos em busca de respostas para os enigmas que envolvem um dos povos mais misteriosos da Amazônia. Nada menos do que treze cemitérios indígenas construídos por um grupo que se acredita extinto desde o século XVII foram localizados nos últimos cinco anos. Todos eles estão em grutas semi-encobertas por cipoais e folhagens e, em lugar de tumbas ou urnas funerárias convencionais, exibem inesperados vasos de cerâmica na forma de bonecos. São figuras de até 71 centímetros que representam homens e mulheres sentados em pequenos bancos, como um grupo de índios reunidos para uma conversa em torno da fogueira. Algumas figuras ocupam lugares de destaque, de frente para as demais, com traços zoomorfos. Dentro das peças de barro estão os ossos dos indígenas, que, por falta de nome mais preciso, os arqueólogos batizaram de maracás. Ainda não se sabe se a tribo desenvolveu uma civilização complexa como a dos habitantes da Ilha de Marajó, localizada na foz do Rio Maracá. As urnas são, por enquanto, os elementos mais significativos de como viveu essa gente. "Esse é apenas um ponto de partida para entender quem foram os maracás", diz a arqueóloga Edithe Pereira, do Museu Emílio Goeldi, em Belém.

Figuras agrupadas como num ritual. Foto: F. Guenet/B. Arnaudo - Revista Veja

As urnas do Rio Maracá não são inteiramente novas para os arqueólogos. Três delas estão expostas na Mostra do Redescobrimento, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A questão é que até agora os vasos cerâmicos não tinham sido estudados sistematicamente. Havia apenas exemplares isolados coletados no fim do século XIX e desde então incorporados à coleção do Museu Goeldi, sob catalogação bastante genérica. Isso mudou com a descoberta dos cemitérios, o último deles no final do ano passado. Os maracás tinham um rito fúnebre bastante original. Não enterravam as urnas, como ocorria entre a maioria dos indígenas. Guardavam os ossos numa disposição padronizada. No fundo do vaso era colocada a pélvis e, sobre ela, as costelas, os ossos das mãos e dos pés. Por cima de tudo vinha o crânio. Os ossos mais longos eram acomodados nas laterais da urna. Os pesquisadores acreditam que as figuras zoomorfas, semelhantes a jabutis, guardavam ossos de pajés e chefes. "Os cemitérios nos fazem supor que os maracás viam as urnas como uma maneira de reverenciar e cultuar os antepassados", diz a arqueóloga Vera Guapindaia, coordenadora da pesquisa. "A visão das urnas com formas humanas sentadas em seus bancos e com as mãos nos joelhos devia causar um sentimento de temor e respeito."

Tampa de um vaso: desenhos indicam o sexo do morto. Foto: F. Guenet/B. Arnaudo - Revista Veja

Regalias femininas – Os bancos de madeira têm um significado marcante em várias culturas indígenas. São artefatos exclusivos de chefes, pajés e visitantes ilustres, acessórios importantes na tomada de decisões. Acreditava-se que o ato de sentar-se em um banco propiciava maior poder de concentração e reflexão. Daí também seu aspecto mágico. É curioso que o formato das urnas maracás seja de pessoas sentadas em bancos. Como isso ocorre até com as urnas que contêm ossos femininos, os cientistas supõem que a sociedade fosse igualitária, mesmo no trato com as mulheres. O sexo dos mortos é perfeitamente definido no formato dos vasos. Referências tão explícitas ao sexo feminino em objetos funerários são raras, mas coincidem com algumas descobertas interessantes sobre o papel das mulheres na região. Relatos dos primeiros europeus a percorrer o atual Amapá, no século XVI, falam de mulheres com papéis não tradicionais, como de guerreiras. Frei Gaspar de Carvajal, cronista da expedição de Francisco de Orellana, comparou-as às lendárias amazonas gregas, em 1542. Involuntariamente, ele associou para sempre essa imagem à região, batizando o rio com o nome de Amazonas.

Os cemitérios estão espalhados numa área de aproximadamente 21 quilômetros quadrados e já foram localizadas cerca de 150 urnas. Paralelamente ao levantamento das ossadas, os cientistas esperam datar as descobertas com exames de carbono 14 a cargo do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Também estão sendo procurados vestígios de aldeias e habitações, essenciais para permitir a identificação do povo maracá. Já encontraram três sítios arqueológicos com cacos de cerâmica de uso cotidiano, que se acredita serem dos mesmos índios que fabricaram as urnas. "Cinco anos de estudos numa região com um potencial desse tamanho não é nada", comenta Vera Guapindaia. Se depender dela e de sua equipe, as pesquisas à beira do Rio Maracá só vão parar quando se souber exatamente que língua falavam e por quanto tempo viveram ali os índios que transformaram as cavernas do Amapá em mausoléu.


Fonte: http://veja.abril.com.br/140600/p_100.html

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Misteriosa tumba no cemitério de Christ Church [na ilha de Barbados]

Vazia por quase 200 anos. Vista do jazigo da família Chase, construído no século XVIII, no Cemitério de Christ Church, na baía de Oistins, ilha de Barbados, nas Pequenas Antilhas, próxima a costa da Venezuela. Imagem disponível no blog: http://secretarea.skyrock.com/6.html em 26/04/2010.


Artigo postado por Nathally Amisse em 25/02/2009 no site: www.sobrenatural.org a partir de uma tradução do original em francês denominado Le cimetiere de Christ Church publicado em 18/07/2005 no blog: Les Grands Mystéres < http://secretarea.skyrock.com/6.html >.



Num morro acima da baía de Oistins, no Ocidente [Pequenas Antilhas], você pode ver uma tumba vazia por quase 200 anos. Está sempre em perfeitas condições, mas continua vazia até a data de hoje, pela simples razão de que há caixões que são depositados nela e, imediatamente, jogados para fora ou colocados em estranhas posições. Os fatos são relativamente simples, descritos por muitas testemunhas e os juízes já estão habituados aos relatórios minuciosos e precisos das pessoas. Tudo ainda está arquivado nos arquivos britânicos, como [os da] ilha de Barbados e de Londres, incluindo as medições, desenhos e declarações sob juramento. Muito menos simples são as explicações possíveis. Terremoto? Esta é a tumba que se encontra na parte mais baixa e que, em qualquer caso, não tem efeito sobre outros túmulos do cemitério. Inundações? O cemitério é sobre uma colina e há ainda todas as outras tumbas que estão intactas.

Mapa da Ilha de Barbados. Imagem disponível em: http://www.barbadosbanker.com/?p=3


Ela ainda está esperando por uma explicação, uma vez que, no que diz respeito a fatos, que são considerados como certos e inquestionáveis.

Foto antiga do Jazigo dos Chase. Imagem disponível em: http://www.yourparanormal.co.uk/mysterious-moving-coffins-barbados/



A data desta tumba consta como construída na primeira metade do século XVIII. Tal como os outros túmulos da época, no mesmo cemitério, foi construída parcialmente no subsolo, em uma escavação de rocha, e por dois terços de paredes construídas em pedra, com uma pedra grande tipo laje utilizada como porta, formando uma pesada porta de cimento e selada após cada enterro. Esta tumba foi construída por uma família chamada Elliot, em 1724. A primeira pessoa que veio a falecer teve seu lugar com certeza...

Vista aerea da igreja parochial de Christ Church e do cemitério. Imagem disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Chase_Vault

Alguns anos depois foi enterrada uma senhora chamada Thomasina Goddard, em 31 de Julho de 1807. Não está claro por que a Sra. Goddard foi sepultada na tumba da família Elliot, que era proprietária e que continuava em vida naquela época. Não se sabe também, nem como esta tumba, passou para a família Chase. Ainda assim, em 22 de Fevereiro de 1808, uma garota chamada Mary Ann Chase Maria, filha do Honorável Thomas Chase, foi morta e enterrada nesta tumba.

O túmulo foi aberto novamente em 6 de Julho de 1812, para receber o corpo de Dorcas Chase, irmã mais velha de Mary Ann. Os outros dois caixões anteriores, estavam em seu lugar. Um mês depois, em 9 de Agosto de 1812, Thomas Chase, que também faleceu, foi levado para a tumba. Foi descoberto, então, que os caixões das duas irmãs não estavam apenas deslocados, mas aparentemente jogados e mesmo lançados dentro do Túmulo. O caixão de Mary Ann estava no canto oposto de onde foi deixado e em pé na parede da tumba. Movidos pelo espanto, a família de Mary Ann pediu uma explicação que não poderia ter sido dada naquele momento. Tudo foi colocado em ordem e, como sempre, a tumba foi fechada e novamente lacrada. Pouco a pouco, foram esquecendo o incidente que aconteceu naquela tarde, naquele cemitério.

Outro aspecto do Jazigo da família Chase. Imagem disponível em:http://www.ghost-story.co.uk/stories/thechasevault.html


Quatro anos se passaram e um rapaz, Samuel Brewster Ames Chase (membro da mesma familia) morreu em seu turno, no dia 25 de Novembro de 1816, e devido ao último acontecimento o pessoal do cemitério decidiu abrir a tumba desta vez na presença dos membros da família. Todos os caixões, exceto o da primeira ocupante, Sra. Goddard, estavam soltos, em todos os sentidos, como se houvesse passado um furacão no local! Dois meses mais tarde a tumba foi aberta para abrigar outro falecido da família, Brewster, que foi morto durante uma rixa. Desta vez, todos os caixões estavam amontoados e com os pinos invertidos! Finalmente em 17 de Julho de 1819, a Sra. Thomasina Clarke foi levada para o cemitério. Novamente ao abrir a tumba, todos os caixões se encontravam chocados uns com os outros!

Lord Combermere, governador da ilha, com ajuda de acampamentos, trouxe todos os representantes da justiça e uma grande multidão para assistirem o enterro e a abertura da tumba. Lord Combermere assumiu comando das operações. Ele foi o primeiro a considerar o Túmulo como que feito por arquitetos. Pois todo o acesso dentro dele era impossível, a menos que a porta, com o cimento e os selos, tivessem sido arrombadas por algum mal feitor (mas que estavam intactas). O governador mandou colocar todos o caixões em ordem e, então espalhar areia no piso da tumba e deu o caso como encerrado. Todos os caixões foram novamente lacrados e colocados pinos novos, assim como foram certificados de estarem em bom estado, com exceção do caixão da Sra. Goddard, que já estava bastante gasto pelo tempo, e foi colocado em um canto da tumba.

Foram feitos planos e mapas de localização exata dos outros caixões, tudo foi verificado antes de lacrarem novamente a tumba.

O jazigo da família Chase aspecto externo e detalhe do interior. Imagens disponíveis em:http://cogitz.com/2009/09/27/the-eerie-case-of-the-chase-vault/#more-445


Oito meses mais tarde começaram os falatórios acerca do cemitério. Sem hesitação, Lord Combermere chama as autoridades religiosas e representantes do exército, arquitetos com os seus esboços e pedreiros, e em 18 de Abril de 1820, eles abriram a tumba na presença da família Chase. No interior da tumba não havia marcas na areia, os pinos em todos os caixões estavam intactos, não havia um traço sequer de arrastamento de objetos, nada... Mas todos os caixões estavam empilhados uns sobre os outros, alguns de cabeça para baixo, apoiados contra a parede!

Desenho demonstrando a movimentação dos caixões dentro do Jazigo da família Chase. Imagem disponível em:http://theshadowlands.net/famous/barbados.htm


A família Chase, apavorada, abandonou o que ela considerou hoje como "uma luta desigual e absurda". Ela mandou tirar todos os caixões e colocar em outra tumba...

E quanto a esta aí... Continua vazia, pois os fatos são inexplicáveis até a data de hoje!




Interior do Jazigo dos Chase. Imagem disponível em: http://www.slightlywarped.com/crapfactory/awesomemysteries/movingcoffins.htm





Veja o texto original em francês:


Veja também:

Texto "a dança dos mortos" no livro digital: "O livro dos fenômenos estranhos" de Charles Berlitz (páginas 102 a 103):



Conheça a explicação do Padre Quevedo sobre sobre esse fenômeno no texto: "Hoje se desvenda o mistério de Barbados" disponível na seção "Assombrações durante a morte!" publicado no seu site oficial "Centro Latino-Americano de Parapiscologia":

Diversos sites em inglês que tratam do mistério:

quinta-feira, 15 de abril de 2010

As marcas do esquecimento: Cemitérios Abandonados em Santa Catarina

O Cemitério Morro da Pedra, no bairro Vila Nova, é dividido em dois espaços. De um lado, túmulos mais preservados resistem ao abandono. Do outro lado, pouca coisa sobrou: apenas tijolos amontoados e lápides desfiguradas. Foto: A Notícia/Pena Filho [2009?].



Pelo menos 16 cemitérios antigos da área rural de Joinville estão abandonados

Artigo publicado no Jornal "A Notícia" de Joinville (SC), na Seção Geral, edição nº 573 de 02/11/2009.

A falta de manutenção caracteriza pelo menos 16 cemitérios esquecidos na região de Joinville. Alguns têm mais de cem anos e abrigam túmulos dos primeiros colonizadores da cidade.

Só no bairro Vila Nova, zona Oeste, há seis cemitérios em estado de abandono. Outros ficaram em ruínas e sumiram do mapa com o passar do tempo. O último levantamento da Prefeitura foi feito há dez anos e contou 37 cemitérios na região.

A gerente de patrimônio da Fundação Cultural de Joinville, Elizabete Tamanini, diz que a revitalização dos cemitérios inativos teria um custo muito alto.

Alguns cemitérios são conservados pela própria comunidade, que levanta fundos para bancar a preservação dos túmulos. No cemitério da Estrada Piraí, moradores colaboram com R$ 10 anualmente.
Foto: A Notícia/Pena Filho [2009?].

“São espaços ricos esteticamente, com várias expressões artísticas. A preservação desse patrimônio exige muitos recursos”, diz.

Na avaliação de Elizabete, a cidade precisaria de incentivo do Ministério da Cultura. A atualização do último inventário pode ajudar no tombamento de alguns deles. Segundo a gerente, um novo estudo está sendo feito e deve ficar pronto até fevereiro de 2010. “O estudo é parte de um programa de educação patrimonial. Ele será compartilhado com a secretaria de Educação, na sala de aula, pois os cemitérios também são espaços de memória da nossa cidade”, afirma.


Alguns túmulos do Cemitério dos Imigrantes da Estrada dos Morros, no bairro Vila Nova, ainda são visitados, mas há 33 sepulturas em ruínas. Foto: A Notícia/Pena Filho [2009?].

O Cemitério dos Imigrantes, na rua 15 de Novembro, no Centro, é o único tombado como patrimônio histórico. O lugar abriga também a Casa da Memória, com documentos e imagens sobre o passado da cidade.

Fonte:

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&date=02/11/2009