A morte nos faz cair em seu alçapão, / É uma mão que nos agarra / E nunca mais nos solta. / A morte para todos faz capa escura, / E faz da terra uma toalha; / Sem distinção ela nos serve, / Põe os segredos a descoberto, / A morte liberta o escravo, / A morte submete rei e papa / E paga a cada um seu salário, / E devolve ao pobre o que ele perde / E toma do rico o que ele abocanha.
(Hélinand de Froidmont. Os Versos da Morte. Poema do século XII. São Paulo : Ateliê Editorial / Editora Imaginário, 1996. 50, vv. 361-372)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Como o corpo humano se decompõe?

Imagem da exposição "O Corpo Humano como nunca o viu...". Disponível em http://www.jasfarma.com/noticia.php?id=733


Por Julia Moióli. Artigo publicado na revista MUNDO ESTRANHO da editora Abril. Seção Saúde - Perguntas. Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br


É um filme de terror de arrepiar os cabelos de qualquer defunto. Depois que a gente passa desta para melhor, nosso corpo perde suas defesas e começa a ser atacado por todos os lados: bactérias, animais e até substâncias produzidas por nós mesmos dão início ao fim. O cadáver vai ficando escuro e inchado, a pele e os órgãos se desfazem e o cérebro vira um caldo. Depois de algum tempo, não sobra quase nada. A decomposição acontece em duas frentes. A primeira é a mais esquisita: o próprio corpo se decompõe. "Quando alguém morre, a oxigenação pára de acontecer e o organismo se desequilibra. Minerais como o sódio e o potássio, importantes para o metabolismo, deixam de ser produzidos. Com isso, as células se desestabilizam e passam a digerir o próprio corpo", diz o fisiologista e professor de medicina legal Marco Aurélio Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP). Ao mesmo tempo, bactérias famintas também entram no banquete. As primeiras a avançarem na carne são as da flora intestinal e da mucosa respiratória, que já vivem no organismo. Para continuarem vivas, essas bactérias invadem os tecidos e os devoram. Depois disso, as bactérias do ambiente deixam o cadáver irreconhecível. O suculento resto fica para insetos e até cães, gatos e urubus. Em geral, um corpo sepultado leva de um a dois anos para se decompor totalmente, mas esse tempo pode variar dependendo das condições do ambiente e do cadáver - se o morto tomava antibiótico, por exemplo, o processo demora bem mais. No fim, sobram apenas ossos e dentes, que duram milhares de anos a mais que os outros órgãos. Eles são a principal pista para que peritos consigam solucionar mortes violentas.


Vida de morto
Cadáver vira banquete para bichos e bactérias até ficar só o osso



SUCO PÓSTUMO

A pele passa por uma transformação radical: primeiro, ela perde água e resseca, tornando-se amarela e enrugada. Com o ataque das bactérias, ela fica verde e se dilata. Depois aparecem as bolhas. Quando elas se rompem, é a maior nojeira: a pele começa a soltar líquidos e, por fim, se desmancha

DURO NA QUEDA

O cadáver começa a ficar duro algumas horas depois da morte por causa do acúmulo de cálcio nos músculos. O corpo do morto se contrai e fica com pernas e braços meio dobrados. Para esticá-los, basta dar um puxão - a história de que é preciso quebrar os ossos do morto para deixá-lo reto não passa de lenda

RESISTÊNCIA MILENAR

No fim da decomposição sobram apenas os ossos e os dentes do cadáver. O segredo é que eles são formados basicamente por minerais, enquanto as bactérias decompositoras se interessam apenas por matéria orgânica. Se o defunto for enterrado em condições normais, longe da umidade e do calor excessivo, esses órgãos podem durar milhares de anos

EREÇÃO EXPLOSIVA

Como a pele da região do pênis é mais frouxa que a de outras partes do corpo, os gases bacterianos se infiltram por ali com mais facilidade. Como resultado, o dito-cujo tem uma falsa ereção. Mas isso não significa que o defunto está animadinho: ele apenas se esticou com a descarga gasosa

PERFUME DE PRESUNTO

Durante a decomposição, as bactérias que consomem o corpo fabricam subprodutos com um odor nada agradável. Substâncias como a putrescina e a cadaverina (credo!) ajudam o corpo a cheirar tão mal. Mas o campeão do fedor é o gás sulfídrico, que, além de tudo, é inflamável

NU COM A MÃO NO BOLSO

Como diz aquela marchinha do Silvio Santos, "do mundo não se leva nada" - nem mesmo as roupas do funeral, que também são uma iguaria muito apreciada pelas bactérias. O algodão e outras fibras naturais vão embora mais rápido, em três ou quatro anos. Já tecidos sintéticos, como náilon e poliéster e outros derivados do plástico, podem durar décadas

VISTA EMBAÇADA

Como os outros órgãos, os olhos dos mortos também se desidratam. A córnea fica com uma espécie de tela viscosa meio esbranquiçada, parecida com um véu. Mais adiante, quando as bactérias e larvas começam a atuar, os olhos são o prato predileto. Por isso, eles são corroídos rapidinho até sumirem totalmente

MINGAU DE CÉREBRO

As células cerebrais apagam entre 3 e 7 minutos após a morte. Dias depois, quando os gases da decomposição invadem os órgãos, os tecidos do cérebro começam a se desmanchar. A partir daí, a massa cinzenta vai se tornando um líquido viscoso com a consistência de um mingau de cor de argila, que pode escorrer pelas narinas

SANGUE FRIO

Assim que o sangue pára de circular, ele perde oxigênio e fica mais escuro. Em 8 a 12 horas, ele começa a coagular, ficando com a consistência de uma goiabada. No fim, por ação da gravidade, o sangue concentra-se na parte de baixo do corpo, em regiões como as costas, pernas e pés

CRESCIMENTO DO ALÉM

Já ouviu aquele papo de que cabelos, pêlos e unhas crescem depois da morte? É verdade! Eles são feitos de queratina, uma proteína muito resistente. No caso de cabelos e pêlos, a estrutura onde os fios se desenvolvem nem percebe que a irrigação sanguínea acabou. Mas isso só dura 24 horas, quando os fios podem crescer no máximo 0,05 centímetro

DESTRUIÇÃO INTERNA

Pela ação das bactérias, os órgãos desprendem-se da estrutura do corpo e desmancham. Os que se decompõem mais rápido são os pulmões (que têm tecidos finos), os intestinos (que já possuem bactérias que ajudam na digestão) e o pâncreas (cujas enzimas agem na decomposição). Um dos que mais demoram é o fígado, pois ele é um dos maiores órgãos do corpo humano

Consultoria: Faculdade de Medicina do ABC

Mergulhe nessa
Na Internet:

www.pericias-forenses.com.br/mecamorte.htm

www.unifesp.br/dpato/medlegal/fundamto.htm


Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/saude/pergunta_286990.shtml

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Livro perdido de Freyre traçou sociologia dos cemitérios brasileiros

Jazigos e Covas Rasas seria a continuação de Casa Grande e Senzala, Sobrados e Mucambos e Ordem e Progresso

Cemitério de Santo Amaro, em Recife - PE. Data: 2000. Imagem disponível em: http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=15


Por José Heraldo e Vânia Lira. Artigo publicado no jornal O BERRO - Jornal Laboratório da Turma WL0 7º Período da Disciplina de Técnicas de Reportagem do Curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco. Edição O Berro do Cemitério. 2000.1. Disponível em O Berro on line [ http://www.unicap.br/berro/ ]



A o contrário do que muitos imaginam, Casa Grande & Senzala, Sobrados e Mucambos, Ordem e Progresso, obras do sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre formam uma tetralogia. A Quarta parte, Jazigos e Covas Rasas, planejada e parcialmente elaborada pelo escritor, jamais chegou a ser editada e sequer se sabe onde se encontram os originais. Segundo a antropóloga Fátima Quintas, esta última obra restringiu-se á manuscritos que nunca chegaram ao conhecimento público. Este fato comprometeu o complemento histórico, sociológico e antropológico da visão Gilbertiana do Brasil do séculos XVI ao XIX.

Como o livro Casa Grande & Senzala destinou-se a transmitir os costumes da época da cana-de-açúcar e da escravatura, Jazigos e Covas Rasas deveria refletir uma visão social e arquitetônica dos ritos funerais desde a época do império.

O professor Edson Nery da Fonseca afirma que Gilberto Freyre foi deputado constituinte entre 1946 e 1950. Nesse período planejou escrever Jazigos e Covas Rasas. Fez pesquisas na Biblioteca e Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Freyre reuniu uma documentação que trouxe para o Recife, embrulhado em um veludo vermelho, colocando-o em estante de sua residência, de onde desapareceu.

Na opinião de Nery, a obra não chegou a ser concluída por três motivos. ”O primeiro foi o desgosto de Gilberto Freyre com o desaparecimento dos escritos; o segundo, a dispersão do autor para outros assuntos tirando seu interesse; e o terceiro é o fato de não gostar de concluir nada, a incompletude perpetuava sua obra”, revela.

Edson Nery da Fonseca conta que Gilberto Freyre tinha intenção de escrever o quarto e último volume da série iniciada com Casa-grande & senzala. O título seria Jazigos e covas rasas, a última morada dos senhores e dos escravos. "Ele preparou uma grande documentação para escrever esse livro, mas não escreveu. Dizia que a documentação tinha sumido de sua casa em Apipucos. Madalena, mulher dele, dizia: Gilberto, ninguém ia entrar aqui para pegar isso! Minha explicação é a seguinte: Ele não escreveu porque não queria concluir nada". Imagem e citação disponíveis em: http://www.revistaplatero.com.br/n9/platero3.asp

A intenção de Gilberto Freyre era de que a obra fosse um estudo de ritos patriarcais, de sepultamentos e da influência de mortos sobre vivos. O grande destaque são as fases de desenvolvimento e desintegração na qual ainda se encontra a sociedade brasileira, desde o patriarcado até os dias atuais, refletidos nos enterros, covas ou jazigos familiares. Para isto o autor utilizou fontes como o livro Arquitetura dos Cemitérios Brasileiros, de Clarival do Prado Valadares, anúncios de jornais e visitas pessoais aos principais cemitérios do Recife, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais.

Gilberto concebia o homem morto, de certo, homem social. E, no caso de jazigo ou de monumento, o morto se torna expressão ou ostentação do poder, de prestígio, de riqueza dos sobreviventes, dos descendentes, dos parentes, dos filhos, da família. O túmulo patriarcal, o jazigo chamado perpétuo, ou de família, o que mais exprime é o esforço, às vezes pungente, de vencer o indivíduo a própria dissolução integrando-se na família, que se presume eterna através de filhos, netos, descendentes, pessoas do mesmo nome seriam, na visão de Freyre o túmulo partriarcal a perpetuação da endogomia.

Desta forma o jazigo a tornaria eterna, simbolizando uma forma de ocupação do espaço cuja arquitetura e simbologia continua, e até aperfeiçoa, a das casas-grandes e dos sobrados dos vivos, requintando-se dentro de espaços imensamente menores que os ocupados por essas casas.

O sociólogo considerava que os túmulos suntuosos seriam de conservação dispendiosa para a família, ultrapassando a capacidade econômica dos descendentes dos senhores ricos que o levantaram como descreveu em uma de suas experiências “... era um túmulo com alguma coisa de monumental levantado por uma família opulenta da época do império. Seu chefe fora ministro de Pedro II.

Abandonado, arruinado, sujo, o túmulo patriarcal abria-se naquela tarde de chuva longos anos depois de falecido o grande do império ... para receber o corpo magro e vestido simplesmente de chita branca com salpicos azuis, uma pobre velha – sua neta – cujo enterro não chegara a atrair as clássicas três pessoas necessárias para a condução decente de qualquer ataúde``.

Freyre destacou nos jazigos a forma de imagens ou figuras de dragões, leões, anjos, corujas, folhas de palmeira ou de louro santos, do próprio Cristo e da Virgem. Estes símbolos, feitos de mármore, bronze ou outros materiais nobres, guardam os jazigos privilegiados como que defendendo-os, até chegar o dia do Juízo, de ladrões, enchentes, bichos imundos e da profanação.

Analisando a sociedade pernambucana, Gilberto Freyre coloca que antigamente as pessoas do Recife chamavam o beco que ia do centro da cidade ao cemitério de Santo Amaro de “Quebra Roço“ (presunção, vaidade e orgulho).

É como o tempo age sobre as casas e os túmulos, não apenas os modestos mas também os monumentais, quebrando-lhes o roço, isto é, sua arquitetura característica – casas – grandes, sobrados e monumentos fúnebres - criações de pedra e cal, de mármore e bronze com que as famílias patriarcais ou tutelares pretenderam firmar no seu domínio não só no espaço como no tempo.

Fonte: http://www.unicap.br/berro/Berrocemiterio/freyre.htm

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Peru: Encontrados 79 corpos nas muralhas de Kuélap

Os restos encontrados no Amazonas (Peru) junto com 27 estruturas novas serão investigados em dezembro.

Os enterros estavam no interior de uma muralha de pedra. (Difusión). Imagem disponível em http://peru21.pe/noticia/615503/hallan-79-cuerpos-murallas-kuelap

Por PERU.21.pe (portal de notícias peruano). Artigo publicado em 29/07/2010, quinta-feira, às 08:18, na seção "Atualidade". Tradução do espanhol para o português: Prof. Rodrìgo Frigerio Piva.

A fortaleza de Kuélap [http://es.wikipedia.org/wiki/Ku%C3%A9lap] continua surpreendendo o mundo. Durante os trabalhos de conservação que se realizam no lugar com a finalidade de recuperar os setores deteriorados pelas constantes chuvas e pelas visitas turísticas que se realizam sem supervisão, um grupo de técnicos do Projeto Arqueológico de Kuélap [http://www.mincetur.gob.pe/turismo/proyectos/kuelap/fortaleza_kuelap.htm] descobriu 79 corpos que estavam no interior de uma muralha.

A informação foi confirmada a Peru.21 pelo diretor do projeto de restauração e conservação, Alfredo Narváez, que afirmou que, devido à grande quantidade de umidade que tem o sitio arqueológico, pela sua localização, os corpos quase não conservam nenhum vestígio orgânico nem de tecidos.

“A maior parte são restos de ossos de adultos, porém não descartamos que haja também adolescentes. Estes pertenceriam aos séculos VII e VIII da Era Comum e seriam da cultura Chachapoyas
[http://es.wikipedia.org/wiki/Cultura_Chachapoyas]”, detalhou.

O investigador explicou que se trataria de enterros secundários. É dizer, que foram desenterrados de sua cova original e levados a outro setor para ser novamente enterrados.

“Este costume era bem difundido no Peru Pre-hispânico e Kuélap, pela sua extensão e arquitetura, precisou do trabalho comunitário de várias zonas. Então, ao se construir o lugar mais importante de caráter sagrado para os Chachapoyas, as comunidades que ajudaram em sua construção levaram seus mortos para serem enterrados novamente na fortaleza”, disse.

Narváez completa dizendo que, devido aos problemas de financiamento, prontamente no fim deste ano se fará um estudo mais minucioso dos corpos, e posteriormente estes seriam expostos em algum museu.

CONSERVAÇÃO. Por outra parte, o diretor do projeto de restauração e conservação de Kuélap anunciou que estão trabalhando na reabilitação de um conjunto de 27 estruturas novas que foram localizadas no setor sul da fortaleza. “Queremos encontrar evidências que nos permitam conhecer um pouco mais da história deste recinto”, analisou.

A respeito das 35 seções da fortaleza que estavam a ponto de cair por causa do tempo e pela falta de manutenção, o diretor disse que já foi possível reabilitar 60% da área afetada.

Desta forma, lembrou que as zonas mais afetadas do sítio arqueológico e nas que ainda estão trabalhando são a muralha exterior, a muralha do “Pueblo Alto” e as duas entradas adicionais ao complexo arquitetônico, que foram declaradas em emergência.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Meio século de paz

Exército comemora os 50 anos do mausoléu dos pracinhas mortos na Segunda Guerra

O monumento localizado no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro foi inaugurado em 1960 e abriga os restos mortais dos pracinhas brasileiros que lutaram e morreram na Itália. Foto: Fernado Dallacqua, 2005. Imagem disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Monumento_aos_Mortos_da_Segunda_Guerra_Mundial

Por Cristina Romanelli. Nota publicada na seção "Em Dia", página 10, da Revista de História da Biblioteca Nacional [versão online: http://www.revistadehistoria.com.br], Nº 59, Ano 5, de [01 de] Agosto de 2010.


A Segunda Guerra Mundial acabou em 1945, mas os corpos dos 462 pracinhas só voltaram do Cemitério Brasileiro em Pistoia, na Itália, em 1960. A ideia era repatriá-los de imediato, mas a lei italiana só permitiu que fossem retirados do local muito tempo depois. No mesmo ano, foi inaugurado o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro. Este mês, são comemorados os 50 anos do mausoléu, com apresentação da Banda Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais e exposição de equipamentos e viaturas militares.

Selecionado em um concurso com mais de 20 projetos arquitetônicos, o desenho de Hélio Ribas Marinho e Marcos Konder Netto sofreu alterações durante as obras. “Em vez de uma mãe carregando o pracinha morto, foi erguida a estátua dos três pais da pátria, que representam o Exército, a Aeronáutica e a Marinha”, conta o historiador Francisco César Ferraz, da Universidade Estadual de Londrina.

No mausoléu, há 15 jazigos sem nomes gravados. Eles pertencem a mortos não identificados, e um deles passou a simbolizar o “Soldado Desconhecido”. De acordo com Ferraz, o cemitério de Pistoia também guarda os restos de um soldado brasileiro desconhecido. Ao lado dele foi instalado um marco em homenagem aos combatentes.

Serviço:

O monumento fica na Avenida Infante Dom Henrique, 75 – Glória.
Visitas de terça a domingo, das 10h às 16h.

Veja também o site oficial do "Monumento Nacional aos Mortos na Segunda Guerra Mundial - MNMSGM" que é uma Organização Militar subordinada à Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército:

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Santa Cruz do Sul (RS): Ação de vândalos ameaça cemitério dos imigrantes

Depredação de lápides causou indignação entre os descendentes dos colonizadores alemães e a comunidade em geral. Crédito: Janaina Zílio / Gazeta do sul / CP. Imagem disponível em: http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/Default.aspx?Ano=115&Numero=230&Caderno=9&Noticia=141262




Do Jornal Correio do Povo (edição digital) de Porto Alegre (RS), ANO 115, Nº 230 -Seção Cidades-Capa - Terça-feira, 18 de Maio de 2010.


A depredação de um cemitério em Santa Cruz do Sul que abriga túmulos do século XIX, no bairro Country, nas últimas semanas, causou indignação entre os moradores locais e da Linha João Alves. O presidente da Comunidade Evangélica de Linha João Alves, Darci Niedersberg, afirma que, de algumas lápides, moldadas em pedra-grês, só restam pedaços. O Cemitério Agnes tem túmulos dos pioneiros da região. Inscrições nas pedras, algumas cobertas de limo e já sem a mesma nitidez, identificam mortes ocorridas antes de 1900. A mais antiga data de 1856, sete anos após a chegada dos primeiros imigrantes a Santa Cruz, em 1849.

O cemitério, localizado na avenida Léo Kraether, fica em frente ao entroncamento com a rua Benno João Kist. Segundo Niedersberg, as depredações são frequentes. Os casos são registrados, afirma, em finais de semanas nos quais são promovidas festas em uma boate próxima. O presidente da comunidade diz que jovens se concentram próximos ao local e aproveitam os muros baixos do cemitério para a prática do vandalismo.

Niedersberg lamenta o cenário de destruição no cemitério: “Ninguém mais se importa, mas têm valor histórico” . Imagem disponível em: http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdEdicao=2090&intIdConteudo=132107
Esculturas foram derrubadas e lápides quebradas nas últimas semanas. "Sem falar em camisinhas usadas e peças íntimas que são deixadas sobre os túmulos", afirma. "São sepulturas antigas, com valor histórico que deveria ser reconhecido", lamenta Niedersberg.

Um estudo de 2007 sobre a arquitetura funerária, conduzido pelo professor Ronaldo Wink para o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), apresenta peculiaridades sobre os cemitérios antigos do município. Túmulos localizados no interior eram todos feitos em pedra-grês nas primeiras décadas, devido à facilidade de obtenção da rocha na região e sua maleabilidade na execução das esculturas. O mármore, na época um material importado, tinha um custo alto e era raramente utilizado.

A partir do início do século XX, elementos decorativos moldados em argila e massa de pó de mármore, como figuras de anjos e santos, passaram a aparecer de forma constante. A simbologia nas sepulturas do interior era predominantemente cristã. Em alguns cemitérios, aparecem lápides com símbolos maçônicos, como ramos de acácia. O estudo também revela que a ausência de cemitérios organizados nos primeiros anos de colonização levou à destruição de túmulos mais antigos.




Leia também a notícia original intitulada "Vândalos ameaçam hitória em lápides" no jornal on line "Gazeta do Sul" de Santa Cruz do Sul (RS):

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cemitério paleocristão de Tarragona na Espanha


Aspecto do museu e parte do cemitério romano e paleocristão da antiga cidade de Tarraco (hoje Tarragona), na região da Catalunha, Espanha. Foto: Calafellvalo, 2007. Imagem disponível em: http://www.flickr.com/photos/calafellvalo/2141973538/in/set-72157603527216006/

Compilamos de alguns sites (todos devidamente citados) algumas informações e imagens de um dos maiores cemitérios romanos e paleocristãos existentes fora da península itálica. É realmente muito interessante e pouco divulgado. Como alguns sites não estavam em português contamos com a colaboração do Professor de Espanhol Rodrígo Frigerio Piva que prontamente nos fez as traduções. Espero que apreciem.


O cemitério paleocristão de Tarragona é um conjunto funerário da época tardo romana de meados do século III localizado fora da zona urbana, próximo do rio Francolí, que perdura até o século V. É o cemitério paleocristão mais importante do Mediterrâneo Ocidental. É uma das localizações do Lugar Patrimônio da Humanidade denominado Conjunto arqueológico de Tarraco, em concreto identificado com o código 875-008.

Outro aspecto da área do cemitério paleocristão de Tarragona. Foto: Calafellvalo, 2007. Imagem disponível em:http://www.flickr.com/photos/calafellvalo/2141973538/in/set-72157603527216006/

O cemitério de Tarraco surgiu no entorno de uma basílica dedicada a São Fructuoso e seus dois diáconos. A basílica documentada constava de três naves e cabeceira com abside exterior. Posteriormente se agregaram algumas câmaras funerárias e um batistério. Os restos desta basílica desapareceram para deixar passagem para a construção da «Fábrica de Tabacos de Tarragona» durante a primeira metade do século XX.
A tipologia dos túmulos é bem variada e vai desde enterros simples com vaso ou telha (tegulae) até os mausoléus, passando por uma grande diversidade de sarcófagos, alguns de procedência norte - africana, ou em ataúdes de madeira. Uma peça de significado é a boneca de marfim, datada do século IV, que apareceu dentro de um sarcófago com os restos de uma menina de aproximadamente seis anos. Mede 23 cm de altura e está articulada pelos ombros, cotovelos, cadeiras e joelhos. Tudo isso permite adentrar-se na essência da sociedade cristã de Tarraco.

Aspecto e detalhes da "Boneca de Marfim" encontrada no túmulo de uma menina. Imagem disponível em: http://www.mnat.es/new/gener98/cat/index.html

Referências: Este artigo foi criado a partir da tradução [para o espanhol] do artigo Necrópolis paleocristiana de Tarragona da Wikipédia em catalão, sob licencia Creative Commons Compartir Igual 3.0 e GFDL.

Fonte: http://es.wikipedia.org/wiki/Cementerio_paleocristiano_de_Tarragona

Tarragona
Museu e Necrópolis Paleocristãos

Ritos funerários de Tarraco
Aspecto da área escavada do cemitério paleocristão de Tarragona (área coberta). Imagem disponível em: http://www.galeon.com/maty/tarragona/la_necropolis.htm

O campo conta com mais de 2.000 túmulos que datam do século III.
Junto ao Museu Arqueológico de Tarragona se situa esta necrópolis, onde se conservam numerosas sepulturas de enterro paleocristãs. A origem do cemitério se encontra na segunda metade do século III. Posteriormente, os trabalhos de escavação puseram em evidência até 2.050 tumbas de tipologia diversa.
Aspecto de um dos sarcófagos expostos no Museu do cemitério paleocristão de Tarragona. Foto: Calafellvalo, 2007. Imagem disponivel em:http://www.flickr.com/photos/calafellvalo/2141973538/in/set-72157603527216006/
Muitos enterramentos se encontram colocados ao redor e no interior de uma basílica, na que se identifica um sepulcro com uma inscrição que alude a Fructuoso, Augurio e Eulogio, os mártires tarraconenses. Esta basílica data do século V de d. C. Na necrópolis também se encontraram esculturas, estatuas de mármore e outros objetos.

Fonte: http://www.spain.info/pt_BR/conoce/museo/tarragona/museo_y_necropolis_paleocristianos.html

Necrópolis romana. A cidade de Tarragona

Na parte oeste da cidade de Tarragona se encontra a Necrópolis Paleocristã, um cemitério romano e cristão dos séculos III e IV.
Aspecto de sarcófagos expostos no Museu do cemitério paleocristão de Tarragona. Foto: Calafellvalo, 2007. Imagem disponivel em: http://www.flickr.com/photos/calafellvalo/2141973538/in/set-72157603527216006/


Entre 1923 e 1933 se realizaram umas escavações arqueológicas que encontraram a localização de um importante cemitério paleocristão em que se encontraram milhares de objetos e belos mosaicos. Esta necrópolis foi utilizada desde a época da Tarraco romana até o século VII. Se encontraram diferentes tipos de enterramentos, pagãos e cristãos. A maior parte destes achados pode ser vistos no Museu Arqueológico de Tarragona.

Foto destacando a recuperação do sarcófago de "Leocadius" durante as escavações coordenadas por Serra y Villar entre 1923 e 1933. Imagem disponível em:http://www.mnat.es/esp/mnat/necr/necr04.html


A filial do Museu Arqueológico Nacional de Tarragona, o Museu e as Necrópolis paleocristãs possuem objetos e obras de arte deste período. Podem-se visitar as instalações ao ar livre dos restos da necrópolis paleocristã. Destacam as coleções de ânforas e outros objetos cotidianos da vida da Tarraco romana e paleocristã.

Fonte: http://www.fotonostra.com/albums/catalunya/necropolis.htm

Mapa localizando Tarragona na região da Catalunha e Espanha. Imagem disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tarragona

Tarragona é uma cidade de Espanha pertencente à comunidade autonómica da Catalunha. Situa-se a cerca de 100 km a sudoeste de Barcelona, e é capital da província com o mesmo nome.
É banhada pelo Mar Mediterrâneo. Tem grande tradição histórica cultural, é destino de muitos turistas, tanto por suas praias como por seu patrimônio histórico e artístico. Está junto a outros doze lugares espanhóis que é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tarragona



Outros links sobre o cemitério paleocristão de Tarragona:

http://www.fotoaleph.com/Colecciones/Tarragona/Tarragona-texto.html#Tarragona

http://www.masmuseos.com/museos/Tarragona

http://www.mnat.es/esp/mnat/necr/index.html

http://www.tarragona.ws/tarragona/monumentos/monumentos.html